MICHAEL LÖWY – O SOCIALISMO INTERNACIONALISTA DE ROSA LUXEMBURGO

Diante do nacionalismo crescente e de uma crise ecológica planetária fomentada pelo capitalismo global, o ethos internacionalista de Rosa Luxemburgo é mais relevante do que nunca.

Poucos pensadores marxistas estavam mais comprometidos com o programa internacionalista do socialismo do que Rosa Luxemburgo. Ela era judia, polonesa e alemã, mas sua primeira e única “pátria” era a Internacional Socialista.

Ao contrário de tantos outros socialistas de sua época, para Luxemburgo o internacionalismo não estava limitado aos países europeus. Ela se opôs ativamente ao colonialismo europeu desde cedo, e não escondeu sua simpatia pelas lutas dos povos coloniais. Isto naturalmente incluiu guerras coloniais alemãs na África, como a brutal repressão da revolta de Herero no Sudoeste da África alemã em 1904. Em um discurso público realizado em junho de 1911, ela explicou:

“Os Herero são um povo negro, que vivem há séculos em sua pátria… Seu ‘crime’ foi não terem cedido aos traficantes brancos de escravos… e defendido suas terras contra invasores estrangeiros… Também nesta guerra, as armas alemãs foram ricamente cobertas com – glória. … Os homens foram fuzilados, as mulheres e crianças… empurrados para o deserto ardente”.


Enquanto condenava as pretensões imperialistas alemãs (contra a França) no Norte da África – o chamado “incidente do Marrocos” em 1911, quando a Alemanha enviou seus barcos de guerra para Agadir – ela descreveu o colonialismo francês na Argélia como uma violenta tentativa de impor a propriedade privada burguesa contra o antigo comunismo de clã das tribos árabes. Em suas palestras sobre economia política na escola do Partido Social Democrata em 1907-1908, ela enfatizou a conexão entre o comunismo moderno das massas proletárias nos países capitalistas avançados e os “antigos sobreviventes comunistas que colocaram resistência teimosa nos países coloniais à marcha progressiva da dominação imperial “faminta de lucro”.

Em seu ensaio econômico mais importante, A Acumulação de Capital, ela argumentou que a acumulação capitalista em escala global não era apenas um estágio inicial, mas um processo permanente de expropriação violenta:

A acumulação de capital, vista como um processo histórico, emprega a força como uma arma permanente, não apenas em sua gênese, mas mais adiante até os dias de hoje. Do ponto de vista das sociedades primitivas envolvidas, trata-se de uma questão de vida ou morte; para elas não pode haver outra atitude além de oposição e luta até o fim… Daí a ocupação permanente das colônias pelos militares, os levantamentos nativos e as expedições punitivas são a ordem do dia para qualquer regime colonial.

Muito poucos socialistas na época não apenas denunciaram as expedições coloniais, mas justificaram a resistência e a luta do povo colonizado. Esta atitude revela a natureza verdadeiramente universal de seu internacionalismo – mesmo que, é claro, a Europa estivesse no centro de sua atenção.

“TRABALHADORES DO MUNDO, UNI-VOS!”
Georg Lukács, em seu capítulo sobre “O Marxismo de Rosa Luxemburgo” em História e Consciência de Classe (1923), argumentou que a categoria dialética da totalidade é a “portadora do princípio da revolução na ciência”. Ele via os escritos de Rosa Luxemburgo, especialmente sua Acumulação de Capital (1913), como um exemplo marcante desta abordagem dialética. No entanto, o mesmo pode ser dito de seu internacionalismo: ela julga, analisa e discute todas as questões sociais e políticas do ponto de vista da totalidade, ou seja, da perspectiva dos interesses do movimento internacional da classe trabalhadora.

Esta totalidade dialética não era uma abstração, um universalismo vazio ou um conglomerado de seres indiferenciados: ela sabia bem que o proletariado internacional era uma pluralidade humana composta de pessoas com culturas, línguas e histórias próprias; suas condições de vida e de trabalho também eram muito diferentes. Em Acumulação de Capital há uma longa descrição do trabalho forçado nas minas e plantações da África do Sul – nada equivalente poderia ser encontrado nas fábricas alemãs. Mas esta diversidade não devia ser entendida como um obstáculo à ação comum: em outras palavras, o internacionalismo significava para ela, como para Marx e Engels, “Proletarier aller Länder, vereinigt euch! – a unidade dos trabalhadores de todos os países contra seu inimigo comum: o sistema capitalista, o imperialismo e as guerras imperialistas.

Por isso, logo após sua chegada à Alemanha e entrada nas fileiras do Partido Social Democrata Alemão (SDP), ela se recusou a fazer qualquer concessão ao militarismo, aos créditos militares ou às expedições navais. Enquanto a direita socialdemocrata (pessoas como Wolfgang Heine e Max Schippel) estava disposta a negociar acordos com o governo do Kaiser sobre estas questões, ela denunciou abertamente tais capitulações, supostamente justificadas pela “necessidade de criar empregos”.

CONSISTENTEMENTE ANTIGUERRA
Rosa Luxemburgo viu claramente o perigo crescente de uma guerra europeia, e nunca deixou de denunciar os preparativos de guerra do governo imperial alemão. Em 13 de setembro de 1913, ela deu uma palestra em Bockenheim, uma cidade perto de Frankfurt am Main, que terminou com uma solene declaração internacionalista: “Se eles pensam que vamos levantar as armas do assassinato contra nossos franceses e outros irmãos, então gritaremos: nunca o faremos”! O promotor público imediatamente a acusou de “apelar para a desobediência pública à lei.

O julgamento foi realizado em fevereiro de 1914, e Rosa Luxemburgo fez um discurso destemido atacando o militarismo e as políticas de guerra e citando uma resolução da Conferência de Bruxelas de 1868 da Primeira Internacional: em caso de guerra, os trabalhadores devem convocar uma greve geral. A palestra apareceu na imprensa socialista e se tornou uma espécie de clássico da literatura antiguerra. Ela foi condenada a um ano de prisão, mas somente depois que a guerra começou, em 1915, as autoridades Imperiais ousaram prendê-la.
Enquanto tantos outros socialistas e marxistas europeus apoiaram seus próprios governos no início da Primeira Guerra Mundial em nome da “defesa da pátria”, ela imediatamente procurou organizar a oposição à guerra imperialista. Seus escritos durante estes primeiros meses cruciais não fazem concessões à agressiva ideologia oficial “patriótica”, e desenvolvem argumentos cada vez mais críticos contra a infeliz traição da liderança do SPD aos princípios do internacionalismo proletário.

Presa várias vezes por sua propaganda anti-militarista e anti-nacionalista, ela resumiu seu ponto de vista de princípios em um ensaio de 1916 intitulado “Either/Or”: “A pátria do proletariado, cuja defesa deve prevalecer sobre tudo o resto, é a Internacional Socialista”. A Segunda Internacional havia sucumbido sob o impacto do que ela chamou de “social-chauvinismo”, substituindo “Proletários de todos os países, uni-vos!” por “Proletários de todos os países, cortem as gargantas uns dos outros!”
Em resposta, Luxemburgo lançou um apelo para a criação de uma nova Internacional. Escrevendo sua proposta para os princípios básicos desta futura Internacional, ela enfatizou: “Não pode haver socialismo fora da solidariedade internacional do proletariado e não pode haver socialismo sem luta de classes”. O proletariado socialista não pode renunciar à luta de classes e à solidariedade internacional, seja em guerra ou em paz, sem cometer suicídio”.

Isto foi, naturalmente, uma resposta ao argumento hipócrita de Karl Kautsky de que a Internacional era uma ferramenta para tempos de paz, mas infelizmente não adequada em uma situação de guerra. Esta nova teoria serviu de justificativa para seu apoio à “defesa nacional” alemã em 1914. “Either/Or” inclui uma declaração pessoal, uma comovente confissão de seus mais queridos valores éticos e políticos: “A fraternidade internacional dos trabalhadores é para mim a coisa mais elevada e sagrada do mundo, é minha estrela-guia, meu ideal, minha pátria; prefiro desistir de minha vida, do que me tornar infiel a este ideal”!

ADVERTÊNCIA CONTRA O NACIONALISMO
Rosa Luxemburgo foi profética em seus avisos contra os males do imperialismo, do nacionalismo e do militarismo. Um profeta não é alguém que prevê milagrosamente o futuro, mas alguém que, como Amós e Isaías, adverte o povo da catástrofe que se avizinha – a menos que eles tomem medidas coletivas para evitá-la. Ela advertiu que sempre haveria novas guerras enquanto o imperialismo e o capitalismo continuassem a existir:

A paz mundial não pode ser assegurada por planos tão utópicos ou basicamente reacionários como as cortes internacionais de arbitragem compostas por diplomatas capitalistas, acordos diplomáticos relativos ao “desarmamento” … “federações europeias”, “uniões alfandegárias da Europa média”, “Estados-tampão nacionais” e similares. Imperialismo, militarismo e guerras não serão abolidos ou condenados enquanto a regra das classes capitalistas continuar incontestável.

Ela advertiu contra o nacionalismo como inimigo mortal dos trabalhadores e do movimento socialista e como um terreno fértil para o militarismo e a guerra. “A tarefa imediata do socialismo”, escreveu ela em 1916, “será a libertação intelectual do proletariado do domínio da burguesia como manifesta na influência da ideologia nacionalista”.

No “Fragmento sobre a Guerra, a Questão Nacional e a Revolução” (1918), ela se preocupa com o súbito aumento dos movimentos nacionalistas durante o último ano da guerra: “No nacionalista Blockberg estamos hoje na noite de Walpurgis” (uma referência ao sábado das bruxas mitológicas alemãs). Estes movimentos eram de natureza muito diferente, sendo alguns a expressão de classes burguesas menos desenvolvidas (como nos Balcãs), enquanto outros, como o nacionalismo italiano, eram puramente imperial-coloniais. Esta “atual explosão mundial do nacionalismo” continha uma variedade multicolorida de interesses especiais, mas estava unida por um interesse comum decorrente da situação histórica excepcional criada em outubro de 1917: a luta contra a ameaça da revolução mundial do proletariado.

O que ela quis dizer com “nacionalismo” não foi, naturalmente, a cultura nacional ou a identidade nacional de diferentes povos, mas sim a ideologia que transforma “A Nação” no supremo valor político ao qual tudo o mais deve se submeter (“Deutschland über alles“).

Suas advertências foram proféticas, na medida em que alguns dos piores crimes do século XX – da Primeira à Segunda Guerra Mundial (Auschwitz, Hiroshima) e mais além – foram cometidos em nome do nacionalismo, da hegemonia nacional, da “defesa nacional”, do “espaço vital nacional” e afins. O próprio estalinismo foi o produto da degeneração nacionalista do estado soviético, como encarnado no slogan “Socialismo em um só país”.

Pode-se criticar algumas de suas posições em relação às demandas nacionais, mas ela percebeu claramente os perigos da política de Estado-nação (conflitos territoriais, “limpeza étnica”, opressão das minorias). Ela não poderia ter previsto genocídios.

OPOSIÇÃO À INDEPENDÊNCIA NACIONAL
É verdade, porém, que este internacionalismo radical a levou a tomar posições questionáveis sobre a questão nacional. Por exemplo, em relação a seu país natal, a Polônia, ela não só se opôs ao apelo à independência nacional polonesa levantado pelos “patriotas sociais” do Partido Socialista Polonês (PPS) de Piłsudski, mas até rejeitou o apoio bolchevique ao direito da Polônia à autodeterminação (incluindo o direito de se separar da Rússia).

Até 1914, ela basearia suas opiniões em argumentos “economistas”: A Polônia já estava integrada na economia russa e, portanto, a independência polonesa era uma demanda puramente utópica compartilhada apenas por camadas reacionárias aristocráticas ou mesquinhas burguesas. Ela também concebeu as nações como fenômenos essencialmente “culturais”, propondo a “autonomia cultural” como a solução para as demandas nacionais. Faltando em sua abordagem é precisamente a dimensão política da questão nacional, como enfatizado nos escritos de Lenin sobre o tema: o direito democrático à autodeterminação.

No entanto, pelo menos em um artigo, ela declarou o problema de uma forma muito mais aberta e dialética: a introdução de 1905 à coleção A Questão Polonesa e o Movimento Socialista. Neste ensaio, ela faz uma distinção cuidadosa entre o direito legítimo de cada nação à independência – “que fluiu diretamente dos princípios mais elementares do socialismo” – e a conveniência desta independência para a Polônia, que ela rejeitou. Ela também insistiu que a opressão nacional é “a opressão mais intoleravelmente bárbara”, e só pode provocar “uma revolta irada e fanática”.
No entanto, alguns anos mais tarde, em seu caderno de 1918, A Revolução Russa – que contém críticas altamente valiosas aos controles da democracia e liberdade dos bolcheviques – ela rejeita mais uma vez qualquer referência ao direito da nação à autodeterminação como “fraseologia oca, mesquinha e pequeno-burguesa”.

UMA BÚSSOLA PARA A ESQUERDA GLOBALIZADA
Qual é a relevância do internacionalismo de Rosa Luxemburgo hoje? É claro que as condições históricas do início do século XXI são muito diferentes das do início do século XX, quando ela escreveu a maioria de seus textos. No entanto, em alguns aspectos decisivos, sua mensagem internacionalista é tão – ou talvez até mais – relevante hoje como no seu tempo.
No século XXI, a globalização capitalista impôs seu poder a um grau historicamente sem precedentes, promovendo níveis obscenos de desigualdade e levando a consequências ambientais catastróficas. De acordo com o Relatório Oxfam de 2017, oito bilionários e proprietários de empresas multinacionais têm uma fortuna equivalente à da metade mais pobre da humanidade (3,8 bilhões de pessoas). Através de suas instituições – o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio (OMC) e o G7 – o capital consolidou um bloco unido de classes dirigentes capitalistas em torno do neoliberalismo e da desregulamentação.

É claro que existem contradições entre vários interesses imperialistas, mas todos eles compartilham uma agenda comum: apagar todas as conquistas parciais do movimento dos trabalhadores, eliminar os serviços públicos, privatizar os lucros e socializar as perdas, e assim intensificar a exploração. Este processo planetário é hegemonizado pelo capital financeiro parasitário, cujo governo despótico através dos mecanismos cegos e reificados dos “mercados financeiros” é agora imposto às populações de todos os países.

A resistência local e nacional é necessária, mas insuficiente: um sistema planetário tão perverso deve ser combatido em escala planetária. Em outras palavras, a resistência anticapitalista deve ser globalizada. As Internacionais Comunistas e Socialistas da época de Rosa Luxemburgo quase não existem nesta forma. Existem algumas organizações regionais, como o Partido da Esquerda Europeia ou a Conferência Latino-americana de São Paulo, mas nenhum organismo internacional equivalente. A Quarta Internacional fundada por Leon Trotsky em 1938 ainda está ativa em todos os quatro continentes, mas sua influência é limitada.
A principal razão de esperança é o novo movimento internacional pela justiça global, que está plantando as sementes de uma nova cultura internacionalista. A forma tomada por esta resistência planetária à globalização capitalista é a do “movimento de movimentos”, uma federação flexível de movimentos sociais cuja principal expressão é o Fórum Social Mundial, fundado em 2001. Esta convergência de sindicalistas, feministas, ambientalistas, trabalhadores, camponeses, comunidades indígenas, redes de juventude, assim como grupos socialistas ou comunistas na luta comum contra a globalização empresarial – ou seja, capitalista – é um importante passo em frente. Naturalmente, é principalmente um espaço para a troca de experiências e a tomada de iniciativas comuns dispersas e carece da ambição de definir uma estratégia ou programa comum.

O legado de Rosa Luxemburgo pode ser importante para este movimento em muitos aspectos. Ela deixa claro que o inimigo não é a “globalização” ou apenas o “neoliberalismo”, mas o próprio sistema capitalista global. A alternativa à hegemonia capitalista global não é a “soberania nacional”, a defesa do nacional contra o global, mas sim a resistência globalizante, ou seja, internacionalizante. A alternativa ao Império não é uma forma “regulada”, “humanizada” de capitalismo, mas uma nova civilização mundial, socialista e democrática. Naturalmente, em nossos tempos temos que lidar com novos desafios desconhecidos para Rosa Luxemburgo: catástrofe ecológica e aquecimento global. Eles resultam da dinâmica destrutiva do desejo ilimitado de expansão e crescimento dos capitalistas e devem ser enfrentados em escala global. Em outras palavras, a crise ecológica é um novo argumento para a relevância do ethos internacionalista de Luxemburgo.

O aviso de Rosa Luxemburgo contra o veneno do nacionalismo nunca foi tão relevante. No mundo de hoje – e particularmente na Europa e nos Estados Unidos – o nacionalismo, a xenofobia e o racismo sob diversas formas “patrióticas”, reacionárias, fascistas ou semifascistas estão em ascensão e constituem um perigo mortal para a democracia e a liberdade. A islamofobia, o antisemitismo e o racismo anti-cigano estão em ascensão, desfrutando de um apoio governamental aberto ou discreto. Acima de tudo, o ódio xenófobo aos migrantes – populações desesperadas fugindo de perseguições, guerras e fome – é cinicamente promovido pelos partidos neofascistas e/ou governos autoritários. Orbán, Salvini e Trump são apenas os representantes mais flagrantes e nauseabundos das políticas que expulsam os migrantes – sejam muçulmanos, africanos ou mexicanos – e os denunciam como uma ameaça à identidade nacional, racial ou religiosa. Milhares de migrantes são condenados à morte nas águas do Mediterrâneo pelo fechamento hermético das fronteiras da Europa. Pode-se tratar isto como uma nova forma do comportamento colonialista brutal, tão duramente denunciado por Rosa Luxemburgo.

Seu internacionalismo socialista continua sendo uma inestimável bússola moral e política em meio a esta tempestade xenofóbica. Felizmente, os internacionalistas marxistas não são os únicos a se opor obstinadamente à onda racista e nacionalista: muitas pessoas em todo o mundo, movidas por valores humanistas, religiosos ou morais, estão demonstrando solidariedade com minorias perseguidas e migrantes. Sindicalistas, feministas e outros movimentos sociais estão ocupados em organizar pessoas de todas as raças e nacionalidades em uma luta comum contra a exploração e a opressão.

A xenofobia reacionária é a única forma de nacionalismo no mundo de hoje? Não se pode negar que ainda existem movimentos de libertação nacional com exigências legítimas de autodeterminação – um conceito que, como sabemos, Rosa Luxemburgo não subscreveu. Os palestinos e os curdos são dois exemplos óbvios. No entanto, é interessante observar que a principal força nacionalista curda de esquerda, o PKK (Partido dos Trabalhadores Curdos), decidiu abandonar o apelo por um Estado-nação separado. Criticando o Estado-nação como uma forma opressiva, adotou uma nova perspectiva influenciada pelas ideias anarquistas de Murray Bookchin: o “Confederalismo Democrático”.

As ideias internacionalistas de Rosa Luxemburgo, mas também de Marx, Engels, Lenin, Trotsky, Gramsci, José Carlos Mariatégui, W.E.B. Dubois, Frantz Fanon e muitos outros são instrumentos preciosos para compreender e transformar nossa realidade. São armas necessárias e indispensáveis para as lutas de nosso tempo. No entanto, o marxismo é um método aberto, em constante movimento, que deve cultivar novas ideias e conceitos para enfrentar os novos desafios de cada época.


Publicado em ROARMag, com o título “The socialist internacionalism of Rosa Luxemburg” em 05.03.2021

LANÇAMENTO DO LIVRO “PARIS ESTÁ EM CHAMAS: MEMÓRIAS DA COMUNA – LOUISE MICHEL”

É com imenso prazer que lançamos hoje o livro “Paris está em chamas: memórias da Comuna – Louise Michel“, com memórias da revolucionária anarquista e comunarda Louise Michel, traduzidas pela primeira vez ao português. A obra é iniciada com um prefácio do prof. Dr. Raphael Cruz, que busca traçar um pequeno esboço biográfico que se confunde com insurgências e rebeliões que eclodiram em toda a Europa, culminando com o assalto aos céus que trouxe ao mundo a primeira experiência de autogoverno do povo – a Comuna de Paris. Conta ainda com três memórias de Michel enquanto participava da Comuna, no Comitê de Vigilância do 18º Distrito. Essas memórias registram suas impressões durante a proclamação da Comuna, a vida cotidiana na insurgente cidade de Paris e sobre as mulheres que participaram do levante. Finaliza-se a obra com uma cronologia de sua vida.

O livro tem o valor de R$15,00 com frete gratuito para todo o país e acompanha, durante o período de pré-venda, um cartaz comemorativo ao sesquicentenário da Comuna de Paris. Para adquirir, visite nossa loja online pelo link: https://linktr.ee/tsa.editora.

“A proclamação da Comuna foi esplêndida. Não era a festa do poder, mas a cerimônia do sacrifício. Sentia-se que os eleitos eram votados ao martírio e à morte”.

Louise Michel

WOMEN DEFEND ROJAVA | O SÉCULO XXI É O SÉCULO DA REVOLUÇÃO DAS MULHERES

O 8 de março tem sido celebrado mundialmente há mais de um século como o Dia Internacional da Luta da Mulher. Neste dia, as mulheres se erguem mais alto do que nunca e unem suas demandas por liberdade e luta por seus direitos. Este dia proclama ao mundo inteiro que as mulheres lutam e resistem não apenas um dia, mas a cada dia e em cada momento da vida. Além da luta pelos direitos e liberdade das mulheres, os direitos das crianças, sociais, ambientais e outras questões também estão na agenda. Porque vemos claramente que a opressão da mulher também significa a opressão da sociedade e isso é um de seus problemas mais antigos.

A ideologia patriarcal em nossas sociedades é evidente e, mais do que nunca, nós, como mulheres, entendemos sua realidade em todo o mundo. Vemos claramente que através da escravidão e ocupação das mulheres, esses mesmos sistemas opressivos de dominação estão se formando, mirando em nós como mulheres, e cometendo feminicídio. Assim, a violência contra as mulheres como política do sistema patriarcal do capitalismo atingiu níveis de terror e genocídio nos últimos anos. Em contraste, porém, também vemos que as mulheres em todo o mundo não estão ociosas, mas sua luta atingiu uma força revolucionária.

Mulheres de todos os países, culturas, etnias ou religiões decidiram se opor a qualquer agressão que tente tirar nossas vidas: Como mulheres, nós defendemos nossa existência, nossos territórios, nossas culturas e nossas sociedades. Com base na solidariedade das mulheres de todo o mundo, organizamos nossas lutas que marcaram e marcarão o século XXI.

O século XXI é o século da revolução das mulheres e continuaremos nossa resistência de acordo com essa premissa. O assassinato sistemático das mulheres e da sociedade só pode ser impedido através de revoluções das mulheres, que devem ser reforçadas em todas as áreas e em todos os momentos da vida. Temos visto com esperança que as mulheres em todo o mundo estão lutando ativa e coletivamente contra todas as formas de dominação. Da Bolívia ao México, da França à Espanha, da Polônia à Argentina, do Egito ao Paquistão, do Afeganistão ao Irã, do Baluquistão ao Curdistão, e muito além, as mulheres estão resistindo unidas em voz e cor.

No último ano, as mulheres em todo o mundo saíram às ruas e resistiram às instituições dominadas pelos homens que fazem de suas vidas um inferno. Com uma grande variedade de slogans, elas ergueram suas vozes para o mundo. Vamos tomar os clamores de nossas resistentes irmãs e levá-los adiante. Porque a origem de nossa opressão como mulheres, e portanto a origem de nossa opressão como sociedade, vem da mesma mentalidade. Estamos prontas para lutar e acabar com a mentalidade patriarcal e a violência de uma vez por todas.

Entretanto, como mulheres do norte e leste da Síria e Rojava, também aprendemos que a luta e a revolução das mulheres trazem muita dor e perda. Perdemos nossas amadas camaradas Zehra, Hebûn, Dayika Emine, Saada e Hind no ano passado, que viveram seu amor e devoção à liberdade das mulheres e lideraram uma forte luta contra a mentalidade patriarcal, razão pela qual foram alvo de assassinato. Entretanto, isto só reforça nossa vontade e convicção para vingar nossos companheiros que deram suas vidas pela liberdade da mulher. Sabemos que não estamos lutando sozinhas. O assassinato de nossas camaradas foi um ataque a todas as mulheres que se organizam, uma tentativa de nos alienar porque sabem que a organização é nossa melhor arma. Organizadas, não só resistiremos para nos defender, mas também poremos um fim ao feminicídio.

Como mulheres, estamos lutando uma grande luta todos os dias e para nós, 8 de março é um dia de grande importância. Aqui em Rojava e no Norte e Leste da Síria, o lugar da revolução das mulheres, celebramos o Dia da Luta das Mulheres deste ano com o slogan: “A NOSSA LUTA GARANTIRÁ A REVOLUÇÃO DAS MULHERES”. A todas as mulheres do mundo, gostaríamos de dizer: Viva o 8 de março! Viva o Dia da Luta das Mulheres! Mostramos nosso maior respeito a todas as mulheres e pessoas que contribuem com sua parte para esta preciosa luta!

MULHERES! VIDA! LIBERDADE!
JIN! JIYAN! AZADÎ!

Women Defend Rojava


Fonte: womendefendrojava.net

INICIATIVA INTERNACIONAL | LIBERDADE PARA ABDULLAH ÖCALAN: O PRECURSOR DA PAZ NO ORIENTE MÉDIO

A indignação pelo sequestro de Abdullah Öcalan em Nairobi, Quênia, em 1999, foi o momento fundacional da Iniciativa Internacional “Liberdade para Abdullah Öcalan – Paz no Curdistão”, que continua fazendo campanha e informando o público. A cada ano, a indignação pelo sequestro de Öcalan e a demanda por sua liberdade tem crescido, unindo pessoas de todos os continentes.

Vinte e dois anos após Öcalan ter sido sequestrado e entregue à Turquia, onde foi posteriormente condenado à morte em um julgamento fraudulento, uma das pessoas que o tornou possível está no auge de sua carreira: Antony Blinken.

Na época do sequestro de Öcalan, Blinken era assessor especial de segurança nacional do presidente americano Bill Clinton. Embora seu papel exato seja desconhecido, ele revelou na televisão turca, em 2002, que foram os Estados Unidos que entregaram Öcalan à Turquia. Ficou claro para Öcalan e o Movimento pela Liberdade do Curdistão que seu sequestro fazia parte de uma “trama internacional” destinada a remover um grande obstáculo à política de intervenção militar dos Estados Unidos e de seus aliados no Oriente Médio. Hoje é um bom dia para olharmos no que este complô implicou e o que resultou dele.

As consequências do sequestro

Todos nós sabemos o que se seguiu: uma série de invasões e guerras que contribuíram para dividir ainda mais as sociedades, já em crise, e colocar os povos do Oriente Médio uns contra os outros. Isto culminou com os ataques genocidas do Estado islâmico. O ISIS foi em grande parte um produto dessas políticas intervencionistas. Portanto, esta trama não foi dirigida apenas contra Öcalan e os curdos, mas contra toda a região e seus povos.

Por outro lado, Öcalan alertou repetidamente sobre os perigos inerentes a esta situação e apresentou sugestões e projetos para superar divisões nacionais e religiosas e criar um novo Oriente Médio baseado na democracia e não no nacionalismo secular ou religioso. Ele descreveu seus esforços como um projeto para “frustrar o complô internacional”.

Öcalan tem trabalhado consistentemente contra este complô, e cada ano, em 15 de fevereiro, os curdos do mundo inteiro nos lembram que esta parte o complô falhou. Hoje, os curdos estão liderando um esforço para reunir os povos da região em torno de um modelo inclusivo de autodeterminação. Os resultados disso são mais visíveis no nordeste da Síria, uma área governada democraticamente e que é um farol de esperança para a região em geral.

Os Estados Unidos, ao contrário, continuaram em seu caminho para remodelar o Oriente Médio de acordo com suas necessidades, militarmente e através de outras formas de intervenção. Talvez não seja mais do que um capricho do destino que Antony Blinken, um dos arquitetos do intervencionismo, cujo papel remonta à administração Clinton, tenha agora que lidar com alguns dos resultados desastrosos dessas intervenções.

Enquanto isso, Öcalan aprofundou seu projeto de paz e democracia. Com seus escritos na prisão e suas intervenções políticas, ele se tornou um dos mais originais e influentes pensadores e interlocutores do século 21. Além disso, a revolução de Rojava, muito inspirada pelos escritos de Öcalan na prisão, mostrou ao mundo o que é o projeto do Movimento Curdo pela Liberdade: a coexistência pacífica, a resolução de conflitos entre os povos e nações do Oriente Médio e a liberdade das mulheres.

Inspiração

O antropólogo David Graeber, um dos grandes pensadores que perdemos no último ano, destacou esta dimensão em um texto sobre a busca da verdade de Öcalan: “É difícil encontrar outro teórico dos últimos cinquenta anos que tenha tomado ideias filosóficas e de ciências sociais e as tenha abraçado de tal forma que tenha sido capaz de inspirar milhões de pessoas para que tentem se tratar de maneira diferente”. (Building the Free Life: Dialogues with Öcalan, 2019)

Os Estados Unidos, Turquia, Rússia, Israel, a UE: todos queriam silenciar Öcalan. Não tiveram sucesso. Instituições de direitos humanos, como o Conselho da Europa e a Anistia Internacional, foram cúmplices. Só estavam preocupados com a pena de morte, e nem mesmo conseguiram que fosse levantada corretamente. A pena de morte foi simplesmente substituída por uma “pena de prisão perpétua agravada”, que se destina a assegurar que Öcalan seja mantido incomunicável “até a morte” em uma prisão da ilha. Mesmo assim, eles não tiveram sucesso. Os povos do Oriente Médio não se voltaram uns contra os outros, pelo menos não como resultado do sequestro de Öcalan. Os escritos de Öcalan na prisão vieram à luz e, como comentou corretamente David Graeber, eles continuam a inspirar milhões de pessoas. Um espírito tão grande como o de Öcalan não pode ser confinado pelas paredes da prisão.

O papel do CPT

O Comitê para a Prevenção da Tortura (CPT) visita frequentemente a ilha de İmralı e fez numerosas recomendações, que as autoridades turcas ignoram sistematicamente. No entanto, ao continuar seu chamado “diálogo” com o Estado turco, a CPT dá legitimidade às contínuas violações dos direitos humanos básicos dos prisioneiros na ilha de İmralı. Embora a CPT tenha se mostrado incapaz de melhorar a situação, o que ela corretamente denuncia como inaceitável, o resto do Conselho ou da Europa pode se referir constantemente à forma como a CPT está lidando com ela. Isto, por sua vez, fornece uma desculpa para não abordar a situação de nenhuma outra maneira.

É por isso que, após apenas um ano, outros presos políticos e ativistas iniciaram novamente greves de fome. Há quase três meses, há greves de fome rotativas nas prisões turcas e em outros lugares para protestar contra o confinamento solitário de Öcalan e exigir sua libertação. Ao mesmo tempo, houve numerosas manifestações ao redor do mundo como parte da campanha em andamento “É chegada a hora: Liberdade para Öcalan”.

Antony Blinken declarou recentemente que ele tem pensado longa e duramente sobre suas decisões passadas em países como a Síria. Ainda não vimos o resultado de suas reflexões. Será que os EUA e a OTAN deixarão de apoiar os ataques genocidas da Turquia e respeitarão a escolha das mulheres e do povo do Oriente Médio: o Confederalismo Democrático de Öcalan?

Öcalan e sua liberdade são indispensáveis para a paz e a democracia no Oriente Médio. Aqueles que apoiam aberta ou disfarçadamente o esforço de guerra turco, deixam Öcalan de fora ou ignoram deliberadamente as condições terríveis sob as quais ele está sendo mantido, se opõem diretamente à paz. É tão simples quanto isso. Apelamos ao mundo inteiro para que se junte a nós em nossa luta pela liberdade de Abdullah Öcalan, pois sua liberdade seria o prelúdio para a paz no Curdistão e no Oriente Médio.


Fonte: International Initiative “Freedom for Abdullah Öcalan—Peace in Kurdistan” | Agência de Notícias Firat (espanhol)

LANÇAMENTO | BAKUNIN DECOLONIAL: EMANCIPAÇÃO EPISTEMOLÓGICA OU TEORIA HETERODOXA, DE MARTIN ALBERT PERSCH

E se Mikhail Bakunin fosse o eixo do pensamento decolonial para a América Latina? Essa é a principal reflexão que Martin Albert Persch faz em seu livro “Bakunin decolonial: emancipação epistemológica ou teoria heterodoxa”, publicado pela primeira vez em espanhol na Revista de Pensamiento Critico Aymara, no Peru e traduzido por nós da Editora Terra sem Amos ao português e publicado com muito orgulho hoje.

A potente obra aponta a dificuldade em pensar as lutas de autonomia e libertação da América Latina pelo eixo do marxismo, propondo a reflexão dessas lutas a partir de Bakunin, anarquista revolucionário russo. A partir disso, Martin diferencia o ateísmo liberal do ateísmo bakuninista, critica a premissa de um governo da ciência sobre as sociedades e analisa as estratégias defendidas pelo anarquista russo em relação as lutas de libertação dos povos eslavos e busca pensar as mesmas para a atual realidade da América Latina.

A produção do livro contou ainda com a imensa colaboração do ilustrador russo Boris Bashirov (@mrfinnfromkadath), a quem muito agradecemos, e que nos cedeu gentilmente o uso de sua impecável ilustração de Mikhail Bakunin, que agora compõe a capa do livro.

A obra possui 40 páginas, tendo o valor de R$ 15,00 com frete grátis para todo o país, e em pré-venda (que durará todo o mês de fevereiro), acompanhará o cartaz “Bakunin Decolonial”. Pode ser adquirida em nossa loja virtual, pelo link em nossa bio do Instagram (@tsa.editora) ou em https://linktr.ee/tsa.editora

“No presente ensaio trocaremos Marx por Bakunin, não com o propósito de mudar os totens, mas porque acreditamos que ao fazer esta mudança, estaremos em condições de orientar e focalizar o debate em questões de grande importância para as quais as soluções políticas propostas por Marx provaram não ser particularmente frutíferas. Perguntas muito importantes para as quais Marx não parece ter respostas conclusivas, mas para as quais encontramos soluções radicais e concretas nos textos de Bakunin”.

Martin Albert Persch

JEFF SHANTZ | ANARQUISMO LOGÍSTICO E INFRAESTRUTURAS DE RESISTÊNCIA


A resistência social atingiu um certo impasse quando os Estados-nação impuseram a austeridade como regime de governança da vida social.

Na América do Norte, os movimentos apenas reagem as crises e a organização ocorre em torno de questões bastante restritas.

Os movimentos antiglobalização das últimas décadas, como o Occupy e os protestos de rua contra o FMI, o Banco Mundial e o G20, são geralmente apresentados como resistências espontâneas ao Estado e ao capital.

Isto implicou no entendimento de que a sociedade guarda as sementes de sua própria destruição, que brotarão quando forem apresentados exemplos esperançosos de luta.

Duas perspectivas forjaram esta compreensão: uma insurrecionalista que procura uma faísca (um motim, talvez) para iniciar uma revolta, explorando a raiva pré-existente, e uma prefigurativa que procura inspirar as pessoas mostrando-lhes o “melhor caminho” através de experiências em pequena escala.

As perspectivas insurrecionalista e prefigurativa são acompanhadas de ativismo em movimentos e protestos. Ambas são, e têm sido pouco adequadas aos desafios colocados pelos governantes agressivamente ativos e com bons recursos.

As abordagens baseadas em ativismo não são suficientes. Há uma diferença real entre o movimentismo e as mobilizações sociais que ocorrem nas comunidades.

Os movimentos atuais na América do Norte estão lutando para superar o ativismo oposicionista (movimentismo) em direção à mobilização social de resistência.

Há uma necessidade de mudar das praças públicas para os bairros. No contexto atual onde as instituições sociais oficiais entraram em colapso, como na Grécia e na Espanha, elas foram substituídas, em parte, por projetos de ajuda mútua de maior escala, mas localizados. O terreno havia sido preparado pela construção de infraestruturas de resistência antes da ocorrência das recentes revoltas de massa e serviu de base para elas.

Preparação é a chave

O apoio popular a esses movimentos vem do fato de garantirem a satisfação das necessidades básicas e de conquistarem vitórias concretas, e não do ativismo ou das faíscas insurrecionalistas.

Muitos que se juntam àquelas iniciativas o fazem pelo desejo de encontrar comunidade ou segurança, e de obter ganhos tangíveis, em vez de primeiramente aderir aos princípios ou objetivos gerais, ou seja, acabar com o capitalismo e abolir o Estado.

As alternativas devem, em parte, ser capazes de oferecer um senso de pertencimento, união e atender às necessidades imediatas da comunidade, ao mesmo tempo em que defendem a ideia de ir além das relações sociais estatistas e capitalistas. Essas alternativas precisam desenvolver estratégias e táticas que nos aproximem do objetivo de ir além do Estado e do capital.

No contexto dos movimentos dos anos 1960, o escritor anarquista Paul Goodman insistiu que devemos desenvolver soluções concretas. Clínicas de saúde, escolas, fornecimento de roupas e alimentos, instalações comunitárias e recreação juvenil são alguns dos recursos essenciais que os movimentos têm efetivamente assegurado desde os projetos Pantera Negra dos anos 60 até os centros populares e anarquistas criados mais recentemente após o Katrina e os furacões Sandy nos EUA.

Mas estes têm de vir de dentro da comunidade. As infraestruturas de resistência fornecem uma base logística para a construção de um amplo apoio. Muitas dessas infraestruturas foram destruídas ou desmobilizadas após a repressão estatal do final dos anos 60 e início dos anos 70. A “guerra contra o crime” ou “guerra contra as drogas” desempenhou um papel nisso, uma vez que a repressão policial foi dirigida precisamente a essas infraestruturas e as pessoas nelas envolvidas, de modo que as comunidades as perderam ou tiveram que redirecionar sua atenção para cuidar dos membros prejudicados pelo Estado.

Como as infraestruturas comunitárias se desmoronam hoje em toda a América do Norte, não faltam bairros e lugares de trabalho para começarmos a atender coletivamente nossas necessidades. Lembre-se, isto não é ativismo. As ações são tomadas porque atendem a necessidades específicas, não para “despertar” as pessoas.
A ênfase em especialistas e profissionais em sociedades capitalistas avançadas, e o domínio das burocracias administrativas desencorajam as pessoas a afirmar suas próprias capacidades para a tomada de decisão. As pessoas são condicionadas a buscar conselhos e opiniões de especialistas. Isto é ilustrado pela popularidade dos programas de palestras diurnas como Oprah, Dr. Phil, e pela profusão de literatura de autoajuda na qual os especialistas dizem às pessoas como realizar tarefas básicas da vida.

A socióloga Heidi Rimke observa que esta é uma forma de governança ou auto-regulamentação em regimes políticos neoliberais. Como Goodman observou, isto deixa as pessoas despreparadas para experimentar a liberdade quando surgem oportunidades.

Uma vez que as pessoas vejam as estruturas do sistema como incapazes de atender às necessidades básicas – e as alternativas se tornam disponíveis – elas terão dificuldades para romper com as infraestruturas de resistência.

As batalhas são ganhas ou perdidas antes mesmo de serem travadas. A preparação é fundamental. Deve haver uma capacidade material (recursos, habilidades, experiências etc.) para alcançar vitórias tangíveis; precisamos ser realistas na avaliação de nossas capacidades. As pessoas precisam alcançar os resultados para ter razões para acreditar que sua própria organização e participação ativa dentro das lutas sociais melhorará suas vidas de maneira significativa. Atividades como protestos de rua não podem fazer isso; se nos organizarmos apenas para protestos, só teremos protestos.

Os anarquistas devem ser capazes de ajudar as pessoas e suas comunidades a desenvolver habilidades para atender agora às necessidades materiais que o Estado ou o mercado não podem ou não querem atender. Ao mesmo tempo, devem oferecer espaços nos quais novas formas de relacionamento podem ser praticadas, e nos quais as perspectivas de ir além das estruturas religiosas estatais, capitalistas ou autoritárias podem ser desenvolvidas e debatidas.

De fato, é em parte por apoiar as pessoas em suas comunidades e fornecer os recursos necessários que a Direita religiosa e as igrejas têm ultrapassado a Esquerda em partes da América do Norte, por mais que possamos lamentar suas atividades.

Consideramos radical, no sentido de ir às raízes, o esforço para atender necessidades básicas em um contexto no qual estas são negadas ou confinadas dentro das estruturas do mercado capitalista ou de serviços estatais. Curiosamente chegamos a um ponto em que momentos raros e descontínuos (como um protesto de rua ou um confronto com a polícia) são vistos como radicais, pelo menos pelos ativistas. Estes últimos passaram a dominar a estratégia e a ação do movimento anarquista.

As ideias e práticas anarquistas são importantes para ir além da sobrevivência dentro das condições atuais, particularmente porque a lacuna entre nossas necessidades e o atendimento a elas continua a ser sentida. Os espaços anarquistas poderiam fornecer tanto os recursos necessários quanto as perspectivas para uma mudança mais profunda, mas devem ampliar sua base.

As classes trabalhadoras e os oprimidos precisam de oportunidades para mudar as interações econômicas interpessoais. Assim, precisamos de espaços para praticarmos a cooperação uns com os outros, em vez de sermos obrigados pelas circunstâncias econômicas ou por nossa socialização a agir de forma competitiva ou manipuladora.

Estas práticas, e o estabelecimento de espaços para desenvolvê-las e ampliá-las, são parte do processo de mudança na forma como nos relacionamos uns com os outros (em escalas menores e maiores). Esses esforços concretos funcionam em contraste com as relações capitalistas oficiais e são o que Hakim Bey chamou de Zonas Autônomas Permanentes ou o que os socialistas da Europa nos anos 1920 e 30 chamavam de duplo poder. Para sobreviverem e serem eficazes, eles devem se expandir a partir de terrenos marginais ou subculturas, alcançando uma base mais ampla e oferecendo alternativas reais, em vez de servirem como fugas ou escapes individuais.

Pequenos grupos não podem, apesar dos melhores desejos dos insurrecionalistas, provocar revoltas em massa ou realizar a revolução, ou construir as condições que levarão à rebelião em massa. A insurreição implica em luta armada e isso, na realidade, seria fatal para nossos movimentos neste momento. Há uma necessidade urgente de desenvolver e organizar bases de apoio logístico que possam mobilizar, apoiar e sustentar o que pode se tornar uma luta revolucionária em vez de ver o descontentamento se dissipar em insurreições ou tumultos ineficazes, mas catárticos. Os levantes e rebeliões poderiam então ser prolongados e gerar impactos mais positivos para além da transformação pessoal.

Anarquia logística

Tem sido dito que a logística determina a estratégia. Precisamos dos recursos necessários para que as estratégias tenham consistência. Para movimentos radicais, há muito trabalho logístico a ser feito. Construir infraestruturas de resistência é preparar uma capacidade logística para expandir as lutas contra o Estado e o capital que possam sustentar os efeitos de atos de dissidência ou protesto.

Exemplos significativos vêm das retomadas e bloqueios em terras indígenas, tais como os realizados pelo povo das Seis Nações na Caledônia e os Mohawks em Tyendinaga, Ontário, Canadá, que observei enquanto prestava solidariedade. Diante de ataques armados da polícia, as pessoas das Seis Nações mobilizaram muitos membros da comunidade para retomar suas terras, casas e alimentar uma retomada contínua ao longo de vários anos, construindo infraestruturas no local para manter um espaço comunitário.

Eles contaram com as habilidades e recursos das pessoas enraizadas na comunidade que os compartilharam como parte da luta. Em Tyendinaga, as hortas comunitárias e a prática no fornecimento de alimentos ajudaram a sustentar os esforços para bloquear os projetos de extração de recursos naturais.

A necessidade de preparação e infraestruturas confiáveis é urgente. Portanto, também são os trabalhos para reunir militantes muitas vezes isolados. Como argumentou Paul Goodman, são necessários programas – econômicos, políticos, culturais, logísticos, que possam substituir o Estado e o capital em vez de simplesmente se opor. Em sua opinião, a mudança do programa para o protesto no “ativismo” está condenada a perder. São necessárias muitas infraestruturas amplas, principalmente nas frações oprimidas da classe trabalhadora. Não basta se engajar em trabalhos de agitação, como parece razoável em períodos de desmobilização.

A insurreição sem preparação, sem uma base sólida, é mera fantasia.


Traduzido por Raphael Cruz a partir de SHANTZ, Jeff. Logistical anarchism. Disponível em: https://theanarchistlibrary.org/library/jeff-shantz-logistical-anarchism. Acesso em 25 jan. 2021. Publicado originalmente em Fifth Estate, nº 392, 2014.

Jeff Shantz é militante do movimento comunitário e anarquista em Surrey, Columbia Britânica, Canadá. É autor de Activ Anarchy, editor de Protest & Punishment e compõe o Critical Criminology Working Group. Seu endereço na web é jeffshantz.ca.

ANF – “A VITÓRIA DE KOBANE É UM LEGADO PARA O MUNDO INTEIRO E PARA A HUMANIDADE”

A Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria emitiu uma declaração escrita pela ocasião do sexto aniversário da vitória de Kobane sobre o ISIS.

A declaração indicava o seguinte:

“As gangues ISIS se tornaram um grande perigo para o mundo inteiro e a humanidade após ocuparem vastos territórios na Síria e no Iraque e proclamarem a cidade de Raqqa como a capital de seu chamado Califado.

“PONTO DE INFLEXÃO NA LUTA”

A resistência montada contra o ISIS no norte e leste da Síria foi épica. A resistência no norte e no leste da Síria foi uma resposta às ameaças colocadas pelo ISIS contra todos os povos sírios e do mundo. A resistência de Kobane, que resultou na vitória em 26 de janeiro de 2015, foi um ponto de inflexão na luta contra o ISIS. Após esta data, o colapso do grupo terrorista começou. Os povos do norte e leste da Síria receberam força e entusiasmo pela resistência de Kobane até o fim do califado ISIS em Baghoz, em 23 de março de 2019.

O povo de Kobane apresentou o Projeto de Administração Autônoma como uma solução democrática em 27 de janeiro de 2014, e esta experiência se tornou a infra-estrutura do projeto de uma Síria Democrática.

Esta história está cheia de lembranças. Por ocasião do sexto aniversário da vitória de Kobane em 26 de janeiro de 2015 e do sétimo aniversário da declaração da Administração Autônoma de Kobane, comemoramos o heroísmo da resistência de Kobane e os sacrifícios de nossos mártires. A resistência e os sacrifícios se converteram na vontade dos povos de criar uma vida democrática e livre. Na luta contra o terrorismo ISIS, ela se tornou a base para a realização do projeto da Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria.

A vitória de Kobane contribuiu para o enfraquecimento da Turquia e impediu seu projeto de ocupação.

A vitória de Kobane é um legado para o mundo inteiro e para a humanidade, assim como um ganho vital que contribuiu para enfraquecer a Turquia e impediu seu projeto de ocupação e extensão, baseado em apoiar o ISIS. Ficou na cultura da resistência revolucionária global como uma epopeia heroica.

A vontade revelada pela resistência de Kobane tornou-se uma esperança para derrotar o ISIS. Foi fundamental para as forças estadunidenses que lutaram contra o ISIS em Kobane. Como resultado da luta e dos sacrifícios, o 1º de outubro foi declarado como o Dia Mundial de Kobane.

APELAMOS ÀS PESSOAS DA REGIÃO

Como Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria, enfatizamos mais uma vez que o apoio dado pelo Estado turco invasor às gangues mercenárias reaviva o ISIS e outras organizações terroristas na região. Esta situação é uma ameaça para os povos do mundo e prejudica nossas conquistas na luta contra o ISIS. Qualquer um que queira eliminar estas ameaças deve deter os crimes cometidos pelo Estado turco invasor e suas quadrilhas após a ocupação de Afrin, Serêkaniyê e Girê Spî.

A libertação de Afrin, Serêkaniyê e Girê Spî é tão importante quanto a libertação de Kobane.

Fazemos um chamado a todos os povos da região para que Afrin, Kobane e todo o norte e leste da Síria adotem a linha de resistência como base. Esta linha de resistência é a garantia da sociedade democrática do Norte e Leste da Síria e da segurança da região.

Finalmente, saudamos todos os mártires da revolução”.


Fonte: ANF espanhol

LANÇAMENTO DO LIVRO “FLORENTINO DE CARVALHO – ANARCO-SINDICALISMO E EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA”

Lançamos hoje o livro “Florentino de Carvalho – anarco-sindicalismo e educação libertária“, escrito pelo historiador Francisco Pinto de Azevedo. Na obra, Francisco analisa a atuação do anarquismo e do sindicalismo em suas diversas perspectivas especialmente no início da década de 1920, destacando sua adaptação para a realidade latino-americana em geral e brasileira em específico.

O fio condutor de todo o trabalho são os escritos de Florentino de Carvalho – um dos pseudônimos do jornalista e destacado militante anarquista Primitivo Raymundo Soares, nascido na Espanha mas que viveu grande parte da sua vida em território brasileiro. Florentino, colaborador de uma série de jornais operários e autor de diversos livros, observa ainda questões pertinentes para a atuação de coletividades no país, especialmente o conceito de educação e sua prática no plano material.

Nestas 60 páginas, o leitor terá em mãos um rico debate sobre os “outros mundos possíveis”, imaginados e vivenciados nas décadas iniciais do século XX por diversas correntes ideológicas, que erigiam entre os escombros da sociedade burguesa, experiências capazes de impulsionar mudanças reais nas condições de existência das trabalhadoras e trabalhadores do Brasil.

A obra poderá ser adquirida pelo valor de R$ 15,00 com frete grátis para todo o país, através de nossa loja, pelo link em nossa bio do instagram ou em https://linktr.ee/tsa.editora

EZLN | PRIMEIRA PARTE – UMA DECLARAÇÃO… PELA VIDA

Tradução e revisão: Teia dos Povos


Primeiro de janeiro do ano de 2021.

Aos povos do mundo:

Às pessoas que lutam nos cinco continentes:

Irmãs e irmãos, companheir@s:

Durante esses meses anteriores, temos estabelecido contato entre nós por diversos meios. Somos mulheres, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis, transsexuais, intersexuais, queer e muito mais, homens, grupos coletivos, associações, organizações, movimentos sociais, povos originários, associações de bairros, comunidades e um longo etc etc que nos dá identidade.

Nos diferenciam e distanciam terras, céus, montanhas, vales, estepes, selvas, desertos, oceanos, lagos, rios, arroios, lagoas, raças, culturas, idiomas, histórias, idades, geografias, identidades sexuais e não sexuais, raízes, fronteiras, formas de organização, classes sociais, poder aquisitivo, prestígio social, fama, popularidade, seguidores, likes, moedas, graus de escolaridade, formas de ser, afazeres, virtudes, defeitos, prós, contras, mas, contudo, rivalidades, inimizades, concepções, argumentações, contra argumentações, debates, desacordos, denúncias, acusações, desprezos, fobias, filias, elogios, repúdios, vaias, aplausos, divindades, demônios, dogmas, heresias, gostos, desgostos, modos e um longo etc etc que nos faz distintos e, não poucas vezes, contrários.

Só nos unem muito poucas coisas:

Fazer nossas as dores da terra: a violência contra as mulheres; a perseguição e desprezo às diferenças em sua identidade afetiva, emocional, sexual; o aniquilamento da infância; o genocídio contra os povos originários; o racismo; o militarismo; a exploração; a espoliação; a destruição da natureza.

O entendimento de que é um sistema o responsável destas dores. O verdugo é um sistema explorador, patriarcal, piramidal, racista, ladrão e criminoso: o capitalismo.

O conhecimento de que não é possível reformar este sistema, educá-lo, limá-lo, domesticá-lo, humanizá-lo.

O compromisso de lutar, em todas as partes e por todas as horas – cada qual em seu terreno –, contra este sistema até destruí-lo por completo. A sobrevivência da humanidade depende da destruição do capitalismo. Não nos rendemos, não estamos à venda e não cederemos.

A certeza de que a luta pela humanidade é mundial. Assim como a destruição em curso não reconhece fronteiras, nacionalidades, bandeiras, línguas, culturas, raças; assim a luta pela humanidade é em todas as partes, todo o tempo.

A convicção de que são muitos os mundos que vivem e lutam no mundo. E que toda pretensão de homogeneidade e hegemonia atenta contra a essência do ser humano: a liberdade. A igualdade da humanidade está no respeito à diferença. Em sua diversidade está sua semelhança.

A compreensão de que não é a pretensão de impor nossa visão, nossos passos, companhias, caminhos e destinos, o que nos permitirá avançar, e sim a escuta e o olhar do outro que, distinto e diferente, tem a mesma vocação de liberdade e justiça.

Por estas coincidências e sem abandonar nossas convicções, nem deixar de ser o que somos, temos concordado:

Primeiro: Realizar encontros, diálogos, intercâmbios de ideias, experiências, análises e avaliações entre aqueles que nós encontramos empenhados, desde distintas concepções e em diferentes terrenos, na luta pela vida. Depois, cada um seguirá seu caminho ou não. Olhar e escutar o outro talvez nos ajudará ou não em nossos passos. Mas conhecer o diferente é também parte de nossa luta e de nosso empenho, de nossa humanidade.

Segundo: Que estes encontros e atividades se realizem nos cinco continentes. Que, no que se refere ao continente europeu, se concentrem nos meses de Julho, Agosto, Setembro e Outubro do ano de 2021, com a participação direta de uma delegação mexicana formada pelo CNI-CIG, a Frente de Povos em Defesa da Água e da Terra de Morelos, Puebla e Tlaxcala, e o EZLN. E em datas ainda a marcar, apoiar segundo nossas possibilidades, para que se realizem na Ásia, África, Oceania e América.

Terceiro: convidar quem compartilha das mesmas preocupações e lutas parecidas, a todas as pessoas honestas e a todos os de abaixo que se rebelem e resistam nos muitos rincões do mundo, a que se somem, aportem, apoiem e participem nestes encontros e atividades; e que firmem e façam suas esta declaração PELA VIDA.

Desde um dos pontos da dignidade que une aos cinco continentes.

Nós.

Planeta Terra.

1 de janeiro de 2021.

Desde diversos, díspares, diferentes, dessemelhantes, desiguais, distantes e distintos rincões do mundo (em arte, ciência e luta em resistência e rebeldia):

Grecia

Alto a la Guerra contra l@s Inmigrantes

Acción Alternativa para la Calidad de Vida

Acción contra la Regeneración y Gentrificación (AARG!)

Adespotos Athinon: equipo deportivo autogestionado y sin dueño (déspota) de la ciudad de Atenas

Agrupación Ciudadana Autónoma de Icaria

Alterthess, medio alternativo

ΑMOQA Museo de Artes Queer de la ciudad de Atenas

Apoyamos a la Tierra

Αsamblea Αbierta de defensa de la arboleda de Agios Dimitrios (municipio de Ag. Dimitrios, ciudad de Atenas, Grecia)

Αsamblea Αbierta de Samos

Asamblea abierta «siembra»

Asamblea Abierta Contra El Desarollo Verde y La Energia Eólica en la Sierra de Agrafa

Asamblea abierta de anarquist@s de la ciudad de Patras

Asamblea Abierta de Lucha de Toumpa (ciudad de Tesalónica)

Asamblea de la Okupa Prosfygika en la ciudad de Atenas

Asamblea de recepción de l@s zapatistas en la ciudad de Corfú

Asamblea de recepción de l@s Zapatistas en la ciudad de Veria

Asamblea de Resistencia y Solidaridad (Kipseli/Patisia) – parque Chipre y Patision str. (Atenas)

Asamblea En Común, por el Decrecimiento, el Comunalismo y la Democracia Directa

Asamblea libertaria autoorganizada Paliacate Zapatista

Asamblea para la defensa de los espacios públicos y del “Elliniko”

Asociación Anarquista Sabaté Asociación Cultural Ambiental de la península de Mani (Grecia)

Asociación Sindical De Trabajadores En Librerias, Papelerias, Editoriales Y Medios Digitales, De La Diputación De Attica (Atenas)

Asyntaktos Press – journalists movement (ciudad de Tesalónica)

Atenecalling

Autoacción – Colectivο políticο Bonita, Papastathi

Brotes Libres – Colectiva para la expresión y la libertad (ciudad de Tesalónica)

Centro Autónomo de Investigaciones Feministas

Centro social «Respiro di libertà» (ciudad de Tesalónica)

Centro social anarquista antiautoritario Αntipnia Centro Social Libre «Scholio» (Tesalónica)

Chispa de solidaridad con l@s Zapatistas y los Pueblos Indígenas

Chispa de solidaridad con la lucha de l@s zapatistas y los pueblos indígenas

Ciudadanos Despiertos

Ciudades Invisibles

Clandestina- inmigración y lucha en Grecia (Grecia)

Clínica Social Solidaria de Tesalónica (ciudad de Tesalónica – Grecia)

Clínica Social y Farmacia Solidaria de Ilio (municipio de Ilio, ciudad de Atenas – Grecia)

Club de trabajodor@s de Kallithea

Club deportivo Apáleftos (ciudad de Tesalónica)

Club deportivo autoorganizado «Marinos Antypas» (ciudad de Larisa,Grecia)

Club Laboral Nea Smyrni (municipio de Nea Smyrni, ciudad de Atenas-,Grecia)

CoLab House Espacio Cooperativo

Colectiva Anarquista «Círculo del Fuego» (Atenas)

Colectiva Anarquista «Omikron 72» (Atenas)

Colectiva Anarquista Pueblo-miembro de la federación anarquista

Colectiva por el Anarquismo Social “Negro y Rojo” (Tesalónica- Grecia)

Colectiva por el Comunismo Libertario – “Libertatia” (Tesalónica_ Grecia)

Colectivo «Calendario Zapatista»

Colectivo Anarquista Retroacción

Colectivo Calendario Solidario con l@s Zapatistas

Colectivo comunista libertario “Fiore Nero” (Grecia)

Colectivo de anarquist@s del este (ciudad de Tesalónica)

Colectivo de trabajo »Ser colectivxs»

Colectivo feminista “Sabbat Quema a los ricos, no a la bruja”

Comedor Colectivo EL CHEF (Grecia)

Comité de Lucha contra las minas de oro, (pueblo de Megali Panagia, región de Calcídica, Grecia)

Comunidad Cooperativa de Autosuficiencia “Apo Koinou”

Confrontacion, grupo de comunist@s

Cooperativa »To Kivotio», ciudad de Rethimno – isla de Creta

Cooperativa de Comercio Solidario “SYN ALLOIS”

Cooperativa de trabajador@s VIOME (Grecia)

Cooperativa de Trabajo PAGKAKI (ciudad de Atenas)

Cooperativa Syn-trofi de la ciudad de Rethimno-Creta

Coordinación de Asambleas Vecinales en Atenas (Asamblea Popular Abierta de Peristeri, Asamblea Abierta de residentes de Agia Paraskevi, Asamblea Abierta de residentes de Petralona-Thiseio-Koukaki)

Coordinación de la ciudad de Ioannina para el viaje de l@s zapatistas a Europa

Coordinación de la ciudad de Tesalónica para el viaje de l@s zapatistas a Europa

Coordinación de la ciudad de Volos para el viaje de l@s zapatistas a Europa (Grecia)

Coordinación del Peloponeso para el viaje de l@s Zapatistas

Desobediencia de género

Editorial de extranjer@s (editorial colectiva en la ciudad de Tesalónica, Grecia )

El Coro Intercultural de Lesvos «CANTALALOUN» (isla de Lesvos ,Grecia)

El Pequeño Árbol que se convertirá en Bosque (ciudad de Tesalónica,Grecia)

Encuentro Autónomo de Lucha contra las represas y la desviación del río Aqueloos (Grecia)

Escuela de Permacultura y Academia Autónoma (Grecia)

Espacio Autogestionado «Epi ta Proso (Hacia Adelante)» (ciudad de Patras, Grecia)

Espacio Autogestionado de Karditsa

Espacio de los Movimientos – Local para l@s inmigrantes (ciudad de Volos, Grecia)

Espacio libertario y publicaciones “Aftoleksi” (Grecia)

Espacio Social Abierto del Xanadu

Espacio Social Autogestionado del Pasamontaña

Espacio social de Paratod @ s (miembros y particulares) (ciudad de Larisa, Grecia)

Espacio Social Libre Nosotros (ciudad de Atenas, Grecia)

Espiral de solidaridad – semilla de Resistencia

Estrógenas (Grecia)

Estructura de Salud Autogestionada de Exarcheia (ciudad de Atenas, Grecia)

Eutopia: Ciclo de acción para el municipalismo libertario (Grecia)

Federación Anarquista (Grecia)

Femctoria por la difusión del feminismo de clase (Grecia)

Geppetto Cooperativa (Grecia)

Glub político Lesxi Aneresis de Tesalónica, (ciudad de Tesalónica, Grecia)

Grupo anarquista “Baruti” (ciudad de Veria, Grecia)

Grupo Anarquista “Disinios Ippos” (caballo indomable) (Patras- Grecia)

Grupo Anarquista “Iterimpia”

Grupo de Salud Mental -¬ Covid19: Solidaridad de Tesalónica, (ciudad de Tesalónica, Grecia)

Grupo de Teatro del Oprimido, “boalitaria” (Grecia)

Grupo político “Camino Libertario” (Grecia)

Guerreros del agua

infolibre.gr – cooperative media for independent information (medio cooperativo para la información independiente) (ciudad de Thessaloniki, Grecia)

Iniciativa Antifascista de Lesvos – contra los centros de detención (isla de Lesvos – Grecia)

Iniciativa Antiracista de la ciudad de Larisa, (Grecia)

Iniciativa de Atenas contra las extracciones de hidrocarburos

Iniciativa de Atenas para la protección de Ágrafa

Iniciativa de habitantes de Kalamata

Iniciativa de Lucha por la Tierra y la Libertad (ciudad de Atenas-Grecia)

Iniciativa de Trabajadorxs y Desempleadxs en la educación privada (Grecia)

Iniciativa Libertaria “Ágria Neda”

Iniciativa para la protección del medio ambiente de la región de Kavala (Grecia)

Jardín Botánico de Petroupolis (municipio de Petrupolis, ciudad de Atenas, Grecia)

Kukuva, Empresa Social Cooperativa de Beneficio Colectivo y Social

LA PEONZA, cooperativα de economía solidaria (ciudad de Atenas- Grecia)

La vieja escuela de Ormos, isla de Samos(Grecia)

Laboratorio Libertario de infraestructura de movimiento (Grecia)

Las ediciones de colegas (ciudad de Atenas,Grecia)

La Cuña Centro político, social y cultural autogestionado de la ciudad de Tebas

Livas Club de Futbol Autogestionado

Local Anarquista UTOPIA A.D.

Local Autónomo de la ciudad de Kavala

Local Autónomo de la ciudad de Xanthi

Local para l@s inmigrantes- Centro Social (ciudad de Atenas)

Mano Aperta: comedor social y autogestionado

Mercado autónomo de Volos (ciudad de Volos)

Μovimiento Αnti-autoritario de Atenas

Movimiento Antiautoritario de Larisa

Movimiento Antiautoritario de Tesalónica (ciudad de Tesalónica)

Movimiento Antifascista de Kalamata

Movimiento Antifascista de Samos

Movimiento Ciudadano de Volos-Pelion para agua (Ciudad de Volos y Pelion)

Movimiento Ciudadano Rajes Icaria

Movimiento de personas que escuchan voces

Μujeres Defendiendo Rojava Comité de la ciudad de Atenas

Odo, Colectivo colectivo libertario

Ocupa de “Analipsis”

Ocupa de “Apertus”. Espacio Social Libre de la ciudad de Agrinio

Ocupa de “Dougrou” (ciudad de Larisa)

Ocupa de “Libertatia”

Ocupa de “Matsangou” (ciudad de Volos)

Ocupa de “Mundo Nuevo”

Ocupa de “Patmos y Karavia”

Ocupa de “Tierra Desconocida” (ciudad de Tesalónica)

Ocupa de Rosa Nera, (ciudad de Canea, isla de Creta)

Ocupa Lelas Karagianni 37 (LK37) (ciudad de Atenas)

Optikamultietnica

Organización Política Anarquista – Federación de Colectivas

ΟΧΟ (Grupo Sin Nombre)

Piso Thrania Iniciativa de educación sin discriminación

Plotinos (Isla de Quios – Grecia)

Red de “Mesochora – Acheloos SOS”

Red de Derechos Políticos y Sociales

Red de Movimientos por Tierra y Libertad

Red Solidaria de Clínicas Sociales de Exarcheia, N Smyrni, Ilio y Agios Nektarios en la ciudad de Volos (Grecia)

Revista Política Babylonia

Spori: Asociación de ciudadan@s por el estudio de la educación libertaria (ciudad de Rethimno, isla de Creta, Grecia)

Sporos – Semilla (isla de Lesvos)

Tienda cooperativa “Hochlios”

Unión Sindical Libertaria de la ciudad de Ioannina

Unión Sindical Libertaria de la ciudad de Atenas

Unión Sindical Libertaria de la ciudad de Rethimno

Unión Sindical Libertaria de la ciudad de Tesalónica

Vacio Ciclo-Miembro de la Federación Anarquista

Women’s initiative against depth and austerity measures Thessaloniki, Grecia) (ciudad de Tesalónica)

Bonita, Papastathi

Chryssikopoulou, Maro

Geroy, Katia

Dimitris, S.

Istres, Jacques

Kapadelis, Panagiotis

Katzourakis, Kyriakos

Kouniaki, Eugenia

Mouka, Nikoletta

Siafliaki, Iro

Thalia P.

Tomsin, Marc

Alemania

AG Ventana al Sur

AK Asyl Göttingen

Alerta! – Lateinamerika Gruppe Düsseldorf

Attac Frankfurt

Borderline-europe Human Rights without Borders e.V.

Campaña cafe mesoamericana

Carea e.V.

Colectivo gata-gata

Colectivo Konfront

Collectif kom.post

DunyCollective

Feministische Organisierung für Selbstbestimmung und Demokratische Autonomie

Flüchtlingscafe Göttingen

Frauen * Streik Bündnis

Freie Arbeiter * innen-Union

Fridays for Future Frankfurt am Main

Gärtnerei Ra.Baba

Gruppe B.A.S.T.A.

Gruppe B.A.S.T.A. Berlin

Guerrero, Christa

Holtmann, Susann

Informationsbüro Nicaragua

Internationalistisches Bündnis Frankfurt a.M.

Jineolojî Komitee Deutschland

Kaffeekollektiv Aroma Zapatista

Kampagne «Grüne Lunge bleibt – Instone stoppen!»

Kollektiv Transgalaxia

KOMMUJA – Red de comunidades solidarias

Mietshäusersyndikatsprojekt Grafschaft 31 Münster

Ökologisch-Radikal-Links Frankfurt

Onbones Collective – Fairdruckt eG

Our House #OM10

Partner Südmexikos e.V.

Perspektive Rojava – Solidaritätskomitee Münster

Prison´ Dialogue- Frauen AG

Projekt Knotenpunkt Schwalbach

Red Ya-Basta-Netz

Riseup 4 Rojava Frankfurt a.M.

Roots of compassion eG

ROSA – Revolutionäre Linke

Tres Gatas – producción en Colectivo

Undogmatische Radikale Antifa

Unrast Verlagskollektiv

Wohnprojekt Grafschaft 30 e.V.

Women Defend Rojava Deutschland

Women defend rojava Frankfurt am Main Deutschland

WUMS-Kollektiv

Ya Basta Rhein Main

YXK Frankfurt a.M.

Zwischenzeit e.V. – Initiative für soziale, interkulturelle und ökologische Forschung, Analyse und Bildung

Daddy Longleg

Ende Gelände

Massiah, Gustave

Schmidt, Edo

Francia

Agate, armoise et salamandre – corps et politique

èssi Dell’Umbria

Anne Hocquenghem et les acheteurs de café du sud-est du massif central en France

Associacion Espoir Chiapas

Association AMERICASOL du réseau Escargot

Association GERMINAL

Association ONYVA

Association SOL’QUERCY du RESEAU ESCARGOT

Caen Entraide Populaire

Caracole

CDP13

Coignard, Elisabeth

Colectivo Mi abuelita

Collectif «Coordinacion DZLN

Collectif Chiapas Ariège

Collectif de l’Université populaire de la Terre

Collectif des Immigrants en France (C.I.F.)

Collectif douarneniste en lutte pour les solidarités

Collectif féministe Les Rosies d’A cause de macron

Collectif Grains de Sable

Collectif inter-collines des 2 rives de la rivière Aveyron

Collectif Mutvitz11

Collectif surnatural

Comité Amérique latine de Caen – Normandie

Comité Amérique latine du Calvados

Comité d’accueil intergalactique de la zad de Notre-dame-des-Landes

Comité d’Accueil Sud Est France PACAZ

Comité de coordination des 17 contre la réintoxication du monde

Comité de Solidarité avec les Indiens des Amériques (CSIA-Nitassinan)

Comité de Solidarité avec les Peuples du Chiapas en Lutte (CSPCL)

Comité Populaire Quartier Latin

Compañía Jolie Mome

Compañía Isidoria

Confédération paysanne

Coordination des sans papiers 75

Corsica Internaziunalista

CSPN (Collectif de solidarité avec le peuple du Nicaragua de Francia)

DAL-Droit au logement

CNT-F

Des femmes de la montagne Limousine

Échanges Solidaires

Editions Divergences

Éditions Libertalia

El Cambuche de Toulouse

Ensemble Finistère! Ensemble 29!

Fondation Frantz Fanon

Foro Cívico Europeo

France Amérique Latine

Front Uni des Immigrations et des Quartiers Populaires

Gilets Jaunes de Montreuil

Gilets jaunes Les Lilas

Groupe Henri Laborit de la Fédération Anarchiste

GROUPE LIBERTAD DE LA FEDERATION ANARCHISTE

Groupe toutes en grève

Jean-Jacques M’U

Initiativ Oury Jalloh Allemagne et la CISPM

InterLieuxInterCollectifs Montreuil

Kafe kapel, red escargot

L’espace autogéré des Tanneries

L’Union Communiste Libertaire

La Bad’j

La Compañía Tamerantong

La Gueule ouverte

La Maison Ouverte Montreuil

La Parole Errante Demain

La Révolution est en marche

«Laboratoire Autonome de Biologie : Alternatif, Solidaire et Expérimental (LABASE)»

Le BIB-Hackerspace

Le collectif «Chabatz d’entrar»

Le Front Uni des Immigrations et des quartiers Populaires (FUIQP)

Le Quartier libre des Lentillères

Le Surnatural Orchestra

Les Communaux

Les Gilets Jaunes de Pantin

Lesconstituants78

l’association Fraternité Douarnenez

Mani Rosse Antirazziste

Marseille avec les Grecs

Mouvement Contre le Crime Atomique Colectivo

Mut Vitz 13

MUT VITZ 31

Mut-Vitz 34

PEPS (Pour une écologie Populaire et Sociale)

Primitivi

Producciones Débrid’arts

Producciones Djab

Rédaction de CERISES LA COOPÉRATIVE

Renaud

Revue Chimères

Revue De(s)générations

Séminaire «Penser les décolonisations»

Solidaires09

Solidarité migrants Wilson

STE-75 Syndicat des travailleurs.euses de l’éducation Paris

Surnatural Orchestra, groupe de musique

Syndicat CNT Éducation Social-Services 34

Syndicat CNT INTERPROFESSIONNEL de l’Ardéche

Tatcha compagnie

Terrestres. Revue des livres, des idées et des écologies

Toulouse Anti CRA

UCL Caen

Union Départementale des syndicats CNT de Haute-Garonne

Union Syndicale Solidaires

Alliez, Éric

Annette Revret

Arsenault, Judith

Assael, Ivan

Astolfi, Nathalie

Ateya, Rim

Attac France

Bachkine, Patricia

Bajon, Jean Baptiste

Baschet, Jérôme

Berling, Maïa

Bertille, Gendreau

Besancenot, Olivier

Beynel, Eric

Bohet, Odile

Boitière, Isabelle

Bonfanti, Brice

Bonvalet-Girou, Thomas

Bosson, Marc

Buisson, Manon

Candore, Marco

Casillas, Jeanne

Castillo, Carmen

Catelain, Jennifer

Causeries Populaires

Chao, Antoine

Chirón, André

Cibele

Corcuff, Philippe

Dardot, Pierre

de los Santos, Marie

Dekel, Tom

Demoron, Sandrine

Dervin, Alain

Desclozeaux, Aurelien

Diawarra, Youssef

Duran, David

Faucheux, Grégoire

Fautrier, Pascale

Fraunié, Laurent

Gaillanne, Fanny

Galasso, Franca

Gau, Gabriel

Gaudichaud, Franck

Gerschel, Anne

Gianinazzi, Willy

Gilles Bertrand

Giner, Stephanie

Glowczewski, Barbara

Godard, Alice

Godard, Carine

Godard, François

Goutte, Guillaume

Guest, Andreas

Hansma, Marie-Christine

Hélier, Odile

Hocquenghem, Joani

Ibañez, Amparo

Jacob, Mat

Jacques Istres

Jappe, Anselm

Jean-Louis Tornatore

Kempf, Joseph

Krzywkowski, Isabelle

Lagneau, Antoine

Latorre, Paule

Latouche, Serge

Laure de Saint Phalle

Le Bot, Yvon

Long, Olivier

Longo Mai

Lopez, Francis

Loutre Barbier, Laurence

Lowy, Michael

Madame Miniature

Marin, Maguy

Martinot, Alex

Mathieu, Dominique

Mavic, Béatrice

Maymat, Philippe

Melo St-Cyr, Viviana

Mesnard, Cécile

Michèle Leclerc-Olive

Monique Amade

Monsieur Jack

Mourrat, Philippe

Navajo, Métie

Normandon, Aurélie

Nugon, Arièle

Odille, Laurie

Pailler, Aline

París Ayotzinapa

Parrot, Karine

Pellicane, Christine

Perez, Ampari

Piet, Sarah

Pirou, Fanny

Prieur, Sébastien

Quillateau, Patrick

Rafanell iOrra, Josep

Robin, Vincent

Romanet, Martine

ROME, Daniel

Roux, Fatima

Salvatori, Jeannot

Salama, Pierre

Sardinha, Diogo

Saurin, Patrick

Secheppet, Camille

Sechet, Sylvain

Soussi, Claire kachkouch

Straeli, Celia

Studer, Jeanne

Tefnin, Garance

Tiburcio, Nicco

Toulouse, Rémy

Triantaphylides, Paul

Untereiner, Jean Luc

Varikas, Eleni

Viennot, Sarah

Vollaire, Christiane

Yoga Nomade

Yvette Dorémieux

Collectif la Digne Rage de Lille

Centre Culturel Libertaire

Association Unidos

Compagnie de théâtre Proteo

Torre Latino Radio.

País Vasco

Abantoko Talde Feminista

Basoa, Defendatsaileen etxea

Bizilur – Lankidetzarako eta Herrien Garapenerako Erakundea

EH Bildu Abanto

Eskozap Kolektiboa

Etxalde – Nekazaritza Iraunkorra

Euskal Herriko Emakumeon Mundu Martxa

Fundación Paz y Solidaridad de Euskadi

Gabiltza

Gogoaren indarra taldea Las Karreras

Harri Barri Kultur Elkartea

Karabana Mugak Zabalduz

Lumaltik Herriak

Mugarik Gabe

Mujeres del Mundo Babel / Munduko Emakumeak

Plataforma Ongi Etorri Errefuxiatuak

Radio Alegría Libertaria

Tadamun elkargunea

TxiapasEKIN kolektiboa

Zabaldi elkartasunaren etxea

Muguruza, Fermin

Perales Arretxe, Iosu

Austria

Kinoki Asociación Autogestión Audiovisual

Bélgica

Actrices et Acteurs des temps présents

Ad Lilithum

ADES

Capitane Records

Casa Nicaragua

Centre Tricontinental (CETRI)

Écologie sociale Liège

Collecti.e.f 8 maars Bruxelles

Collectif de Solidarité Liège-Rojava

Collectif KAWAZ

Collectivo Mala Hierba

Comité Chiapas Bruselas

Comité Jineolojî Europa

Groupe CafeZ, Liège

Jineolojî Center

L’Union Communiste Libertaire

La Santé en Lutte

Le DK

Sororidad Sin Fronteras

VaVeA Semeurs de Possibles

Zablière – ZAD Arlon

Chauvier, Maïa

Coppens, Diego

Despret, Vinciane

Diaz Aranda, Karmen

Duterme, Bernard

Eric Toussaint CADTM internacional

Fox, Ivan

Geert Carpels

Gerardy, Martine

Mekhitarian, Juliette

Quinoa Bruxelles

Vaneigem, Raoul

Bulgaria

Iniciativa de apoyo a l@s zapatistas

Cataluña

Adhesiva Espai de Trobada i Acció

Asociación Mujeres Migrantes Diversas

Associació Cultural el Raval «El Lokal»

Associació Entrepobles

Associació Solidaria Cafè Rebeldía-Infoespai, Barcelona

Ateneu Candela

Ateneu La Torna

Ateneu Popular La Falç

Ateneu Popular Rocaus

Azadi Jin

Azadi Plataforma de Solidaritat amb el Poble Kurd

Cal Cases

Can Tonal de Vallbona

Col•lectiu Maloka

Colectiva Katari

COLECTIVO Pallasos en Rebeldía de Catalunya

Ecoxarxa del Bages

Espai defensa legal Manresa

Fundació Salvador Seguí

Grup de consum autogestionat Pinyol Vermell

Horts Comunals de Sant Celon

La Garriga Societat Civil

La Pallejana

LA RAVAL. Cooperativa d’habitatge generacional a Manresa

Mediterranea Saving Humans

Plataforma d’Afectades per l’Habitatge i el Capitalisme del Baix Montseny

Poc a Coop

Sindicato Popular de Vendedores Ambulantes de Barcelona

Taula per Mèxic

Xarxa de Suport Mutu de la Trini

Bosqued, Àngel

García Sanagustin, Carina

González, Ixchel

Pere Ortín, Andrés

Villalobos, Juan Pablo

Chipre

300000 Arboles en Nicosia

Aeriko en las montañas de Troodos-por la justicia social y ambiental

antifa λευkoşa

Centro Social «Kaymakkin»

Club Atlético Popular «Omonoia»

Colectivo «Ramona»

Colectivo Ecopolis

Iniciativa para el Rescate de costas naturales

Movimiento de Izquierda, Queremos Federación

PUERTA 9 OMONOIA

Sispirosi Atakton

Spirithkia

Escocia

Coordinadora Zapatista North UK

Eslovaquia

Akimov, Ivan

Kesaj Tchave

Europa

ASSI (Acción Social Sindical Internacionalista)

Colectivo iraní Andeesheh va Peykar

Coordinadora Europea De Via Campesina

CUP Exterior

Flor de la palabra – colectivo de traducción de la sexta francófona

Mujeres y Disidencias de la Sexta en la Otra Europa y Abya Yala – Red de Resistencia y Rebeldía

Never again 88

Watch the Med Alarm Phone

Louis, Camille

Philippe Cordier

Inglaterra

Coordinadora Zapatista North UK

Hunter Dodsworth, Siân

Irlanda

Talamh Beo

Noruega

Alerta

Chiapasgruppa LAG

CROTONICX v/ Loan TP Hoang

Karlsøyfestivalen

Kvinneutvalget (LAG)

LAG Noruega

Latin-Amerikagruppene i Norge (LAG)

López Kunst & Produksjoner

Motmakt

Bokkafe, Anarres

Fadnes, Åse

Fadnes, Astrid

Fadnes, Ingrid

Gulli, Marianne

Haugdahl Solberg, Inga

Haugsnes, Vilde

Heiret, Yngve Solli

Luna Evjen, Solveig

Muñoz Llort, Sonia

Pålsrud, Mads

Pedersen, Ole

Solberg, Jarl

Thamdrup Lund, Herman

Watn, Bård

Nigeria

Engert, Klaus

Portugal

Jornal MAPA

Rádio Paralelo

Revista Flauta De Luz

Cunha, António Eduardo

Pereira Ribeiro, Natacha Alexandra

República Checa

Družstvo Black Seeds

Kolektiv 115

Rusia

Cooperativa Molotov

Svora collective

Severnaja, Ekaterina

Saepmie, pueblo Saami

Fjellheim, Eva Maria

Suiza

Bloque Feminista Abya Yala Suiza

C.S.O.A. il Molino

Casa Colectiva de Malagnou

Ceibavieja

Circolo Carlo Vanza Bellinzona

Collectif Breakfree Suisse

Collettivo R-Esistiamo

Collettivo Zapatista di Lugano

Direkte Solidarität mit Chiapas

Encuentro Feminista Zapatista Zürich/ Basel

Grève du Climat Genève

Groupe écosocialiste de solidaritéS

Grupo de Coordinación zapatista del territorio suizo

HumanrightsChiapas Suiza

Jeunes POP Genève

Mouvement pour une agriculture paysanne et citoyenne

Théâtre Tête dans le sac – marionnettes

Voce Libertaria Ticino

Women Defend Rojava Zürich

Gioventù Biancoblu

Togo

Les compas de Kpalimé

Adjetey, Rudy

Estado Español

Confederación General del Trabajo (CGT)

CNT Fraga

CNT Sierra Norte

Afromurcia en Movimiento

Asamblea Plaza de los Pueblos

Asociación Brasileira Maloka

Asociación en medio de abril

Assemblea de Solidaritat amb Mèxic del País Valencià

Centro de Documentación sobre Zapatismo (CEDOZ)

Centro Social La Ingobernable

Centro Social La Villana de Vallekas

CNAAE (Comunidad Negra, Africana y Afrodescendiente en España)

COLECTIVO Pallasos en Rebeldía de Galicia

COLECTIVO Pallasos en Rebeldía de Madrid

Confederación Sindical Solidaridad Obrera

Coordinación Baladre

Coordinadora de Desemplead@s y Precari@s de la Comunidad de Madrid

Derechos Humanos Madrid

Ecologistas en Acción

Espacio Común 15M

Esteve Morlan, Tirso

FIRMES Federación Internacional de Resistencia Migrante en España.

Foro Social de Segovia

Fundación de los Comunes

La Casa Invisible

La Medusa Colectiva

Luisa Martín Rojo

Lumaltik Aragón

Madrid 43 Ayotzinapa

Org. Anticapitalistas

Partido Socialista Libre Federación PSLF

Red de Hondureñas Migradas en España

Redal Montané, Clara

REVISTA VIENTO SUR

Solidaridad con el pueblo Mexicano-Málaga

Synusia

TRAWUNCHE MADRID

Yretiemble

Amorós, Miguel

Ibáñez, Tomás

Taibo, Carlos

Capanegra, Juan Carlos

Carretero Miramar, José Luis

Claveria Iranzo, Olga

De Lera López, Cristina

González de Chávez Fernández, Teresa

Gonzalo Serrano, Andrés

Gonzalo, Pilar

Héctor Grad Fuchsel

Humanes Bautista, José Luis

Martín, Fátima

Merino Escribano, Rosa

Otero González, Isabel

Pastor, Jaime

Pérez Orozco, Javier

Roitman Rosenmann, Marcos

Italia

A.N.P.I. Associazione Nazionale Partigiani Italiani

ADL COBAS

All Reds Rugby Roma

Altro Modo Flegreo

Ambasciata dei Diritti delle Marche

Ambiente&Salute

Annestus – Agoa

ARCI Noerus

Ardita Due Mari

Assalti Frontali

Assemblea Antirazzista Antifascista Di Vicofaro

Associazione «Cultura È Libertà

Associazione ATTAC Italia

Associazione Casa dei Popoli

Associazione centro socio culturale ARARAT a Roma

Associazione Città Migrante

Associazione Culturale GIShub

Associazione di Promozione Sociale

Associazione Giuseppe moscati Parrocchia San Sabino

Associazione Jambo- commercio equo Fidenza Italia

Associazione Nova Koiné

Associazione politico-culturale Tempi Post Moderni

Associazione Senza Barriere Due

Associazione senza paura Genova

Associazione Taiapaia

Associazione Verso il Kurdistan e Rete Jin

Associazione Ya Basta Caminantes Padova

Associazione Ya Basta Moltitudia Roma

Associazione YA BASTA! ÊDÎ BESE Y Centri Sociali del Nordest

Associazione Ya Basta! Milano

Associazione YaBasta! – Casa Della Solidarietà Sabino Romano

Ateneo Libertario

Azione Antifascista Roma Est

Brigata Sanitaria Soccorso Rosso

Brustolin, Maryline

Buscemi, Marquito

C.S.A NEXT EMERSON

Cadtm (Comitato per annullamento debiti illegittimi)

Camera del Non Lavoro

Cantiere

Carovane Migranti

Casa Bettola

Casa dei Circoli, Culture e Popoli

Casa Dei Diritti Dei Popoli

Casa del Popolo Campobasso

Casa della Cooperazione

Casa delle Donne di Milano

Casa delle Donne Lucha y Siesta

Casa delle Donne-Nudm

Casa Madiba Network

Cattive Ragazze

Centro giovanile Batti il tuo tempo

Centro Sociale Anomalia

Centro sociale Anomalia Palermo

Centro sociale autogestito «INTIFADA» Empoli (FI)

Centro Sociale Autogestito Magazzino47

Centro Sociale CasaLoca

Centro Sociale Occupato Autogestito «Angelina Cartella»

Centro Sociale Tpo

Chichimeca

CIAC ( centro immigrazione, asilo, cooperazione internazionale)

Circolo «D. Lazzari» di Legnano

Circolo ANPI Renato Biagetti

Circolo ARCI Barbun KM0

Circolo Arci Nausicaa

Circolo Fratellanza Casnigo

Ciss-ong Palermo

Clown Army Roma

COBAS Confederazione dei Comitati di Base

COBAS Napoli

Collettiva Una volta per tutte

Collettivo 20ZLN

Collettivo Caffè Malatesta

Collettivo Femminista Lotto

Collettivo Lsoa Buridda

Collettivo Nodo Solidale

Collettivo Popolare «Ramona»

Collettivo redazionale della rivista LEF Libertè Egalitè Fraternit

Comitato Abitanti San Siro

COMITATO AMIG@S MST

Comitato antirazzista cobas Palermo

Comitato Chiapas «Maribel»

Comitato Città Vecchia Taranto

Comitato Jineoloji

Comitato Madri per Roma Città Aperta

Comitato No Muos – No sigonella

Comitato per non dimenticare Abba

Comitato Piazza Carlo Giuliani

Comitato Roma Xii Per La Costituzione

Comité por la Anulación de la Deuda del Tercer Mundo

Comune del Crocicchio

Comunità curda in Italia

Comunità di Resistenza Contadina Jerome Laronze

Comunita’ RNCD

Contadinazioni-fuori mercato

Cooperativa Sociale Le Rose Blu

Coordinamento Calabrese Acqua Pubblica «Bruno Arcuri»

Coordinamento dei Collettivi Studenteschi di Milano e Provincia

Coordinamento Nazionale No Triv

CORTOCIRCUITO Flegreo

Csa Astra/Lab Puzzle/cs Brancaleone

Csoa Ex Snia

Csoa Forte Prenestino

Csoa Gabrio

Csoa La Strada

Csoa la torre

Dinamopress

Dipende da Noi

Enoize

ESC Atelier Roma

Ex Caserma Liberata

Ex caserma occupata

Federazione Anarchica Siciliana

Foro Italiano de los Movimientos per el Agua

Forum Antirazzista Palermo

Fridays For Future

Fuorimercato, autogestione in movimento

GAS Caracol Franciacorta

Genuino Clandestino Firenze

Giovani Comunisti

«GIShub – Associazione Culturale GIScience for Humanity, Urban space and Biosphere

Gruppe B.A.S.T.A.

Gruppo Anarchico «Bakunin» – FAI Roma e Lazio

Gruppo Autonomo LiberidiAmare Autonomia Contropotere

Gruppo Consiliare Sinistra Progetto Comune – Comune di Firenze

Gruppo di Acquisto Solidale – Cosenza

Gruppo lampi

Il Cantiere delle Idee

IFE (Iniziativa Femminista Europea)

L’associazione G.L.R.

L’associazione politico culturale Resistenza Gallura

L38squat

La Milpa Orto Collettivo

La Panchovilla in Sabina

Laboratorio Andrea Ballarò

Laboratorio Aq16

Laboratorio Crash!

Laboratorio Decoloniale Femminista e Queer

Laboratorio di economia solidale ambientale e sociale

Laboratorio di Mutuo Soccorso ZERO81

Laboratorio Occupato Autogestito Acrobax – LOA Acrobax

Laboratorio Occupato Insurgencia

Laboratorio Sociale Alessandria

Le Mafalde

Liberation queer+ Messina

Lisangà, culture in movimento

Malanova

Manituana – Laboratorio Culturale Autogestito

Mediterranea Saving Humans

Mondeggi Bene Comune, Fattoria Senza Padroni

Movimento NO MUOS

No Border APS

Non Una Di Meno – Milano

Non Una Di Meno – Modena

Non Una di Meno Alessandria – Casa delle Donne Alessandria

Non Una Di Meno Lucca

Non Una di Meno Palermo

Non Una Di Meno Piacenza

Non Una di Meno Ravenna

Non Una Di Meno Reggio Emilia

Non Una di Meno Roma

Non Una di Meno Torino

Non Una di Meno Venezia

Nudm Palermo

Officina Rebelde Catania

Operai /e dello Spettacolo Associati/e

Osservatorio Repressione – Italia

Palermo Pride

Palermo ribelle

Partito della Rifondazione Comunista

Partito della Rifondazione Comunista – Sinistra Europea

Potere al Popolo!

Presidio salute solidale – Napoli

Progetto 20k

Quarticciolo Ribelle

R.A.S.P.A. Rete Autonoma Sibaritide e Pollino per l’Autotutela

Radio Sherwood

Re:common

Resistenza Casa Sportello Solidale

Rete Antifascista Roma Sud

Rete antirazzista catanese

Rete Antirazzista Catanese e Comitato NoMuos/NoSigonella

Rete Jin

Rete Kurdistan Italia

Rete Kurdistan Roma

ReteJin

Reti di Pace

Ri-Make Bene Comune

RiMaflow, fabbrica recuperata in autogestione

Scomodo

Scuola Popolare Piero Bruno

Signoretti, Claudia

Siracusa Ribelle

Spazio di Mutuo Soccorso

Spazio Libertario Pietro Gori

Spazio sociale 100celle aperte

TATAWELO

TeatrOfficina Refugio

Termoli Bene Comune- Rete della Sinistra

terraTERRA

Ufficio Informazione del Kurdistan in Italia

Unione Sindacale di Base

Verità e Giustizia per i Nuovi Desaparecidos

Vivèro- luogo di quartiere

Ya Basta Bologna

Ya Basta! Marcas Italia

Alberi, Urbani

Amicucci, Caterina

Berti, Stefano

Boffa, Daniela

Botti, Andrea

Bresciani, Marco

Capezza, Iolanda

Caudo, Melina

Celestini, Ascanio

Cesi, Alessandro

Clerici, Naila

Crabuzza, Claudia

De Luca, Mariano

Della Corte, Raffaele

Devastato, Giovanni

Fabiano, Pino

Garelli, Annamaria

Garibaldi, Casale

Indiano, Carlotta

Kaveh, Afshin

Luca Pandolfi

Medici, Sandro

Nicotra, Alfio

Piccinini, Massimiliano

Proia, Veronica

Rossa, Casetta

Sandroni, Doriana

Santoro, Alessandro

Saverio Calabresi, Francesco

Traverso, Enzo

Valcamonica, Adarosa

Vigo, Adele

Vitalesta, Enzo

Zanchetta, Aldo

Zanchetta, Brunella

Argentina

Colectiva Corazón del Tiempo

Comité de Solidaridad Latinoamericana

Grupa de Lesbianas Feministas Sudakas Pro Sexo Anticapitalistas de Nvwvrken WajMapu

Blasco, Hugo Antonio

Gambina, Julio C.

Grodziñski, Silvina Alejandra

Imas, Hilda

Luis Ronconi, José

Brasil

Ação Antifascista São Paulo AFA-SP

Centro de Mídia Independente do Rio de Janeiro

Felício, Erahsto

Rabelo Nogueira, Mônica Celeida

Teia dos Povos

Canadá

No One Is Illegal

Chile

Comité Socioambiental de la Coordinadora Feminista 8M

Cooperativa La Cacerola

Gaceta Ambiental

Instituto Patagónico de estudios culturales

Somos Cerro Blanco

Fermandois, Eduardo

Colombia

La Subterránea

Pueblos en Camino, Abya Yala

Centro de Estudios y Memoria Antifascista CEMA

Colectivo Darío Betancourt Echeverry

Colectivo José Martí

Puello-Socarrás, José Francisco

Henao Gaviria, Adriana María

Ecuador

Walsh, Catherine

Estados Unidos

Eagle and the Condor Liberation Front

El Kilombo, EEUU

Saving Humans USA

Semillas Collective

Sexta Grietas del Norte (Estados Unidos)

Universidad para el estudio de los movimientos sociales Estados Unidos

Zapatista Solidarity Network NY

Agita Perales

Bergasa, Sara

Boyzo, Ivette

Sáenz-Ackermann, Elizabeth

Galván, Mario

Mesbah, Targol

Nelson, Anthony

Padilla, Tanalís

Quiquivix, Linda

Rodriguez, Chris

Perú

Blanco Berglund, María

Blanco Galdos, Hugo

México

González Casanova, Pablo

Beristain, Arturo

Beristain, Natalia

Boullosa, Carmen

Cabrera Castro, Emilio

Cruzvillegas, Abraham

de Tavira, Luis

García Bernal, Gael

Giménez Cacho, Daniel

Goded, Maya

Leduc Navarro, Valentina

Leduc, Valentina

López Austin, Alfredo

López Luján, Leonardo

Monge, Emiliano

Navarro, Bertha

Rea, Daniela

Rulfo, Juan Carlos

Stavenhagen, Marina

Tovar, Miguel

Turati, Marcela

Villoro, Juan

Wolffer, Lorena

Aeromoto (colectivo)

Aguilar, Yasnaya

Álvarez, María

Arêchiga, Cesar

Burkhard, Christiane

Calva, Maru

De Cea, Marta

Diaz, Alfonso

Coppel, Carolina

Cordera Rascón, Inti

Cosío, Joaquín

Fondo Semillas

Fuentes Mendoza, Ivonne

Heiblum, Leo

Heredia, Dolores

Hernandez, Macarena

Ibrahim Hakim, Jessica Samara

Kaplan, Luciana

López Aréchiga, César Adolfo

López, Modesto

Marcin, Mauricio

Medina Mora, Katina

Miller, Elisa

Montaño, Pablo

Nettel, Guadalupe

Niembro, Mariana

Petrus Brienen, Jacobus Johannes

Quintana, Vivir

Ríos Almela, María Fernanda

Reyna, Pablo

Roqué, María Inés

Ruedi, Jeronimo

Sarquis, Daiset

Sejenovich, Ivana

Springall, Alejandro

Terrazas, Kyzza

Turner, Tania

González Contreras, Mario e Hilda Hernández Rivera, (padres de Cesar Manuel González Hernández, Normalista desaparecido de Ayotzinapa)

Aguado García de Alba, Mónica

Armengol Niño, Lourdes

Arroyo Pineda, Maria de la Luz

Avendaño, Lucas

Anguiano, Arturo

Barojas Ortuño, Martha Desiree

Barrios el Mastuerzo, Francisco

Barrios Rodríguez, David

Batta Fonseca, Jesús

Bazar Rebelde

Becerra Absalon, Itzel

Belém Huerta Lastra, Matilde

Benavides, Elisa

Benitez Oliva, Alberto

Bernal Ocampo, Sandra Fernanda

Berti, Stefano

Bolio, Roxana

Bosch, Lolita

Briseño, Maria del Carmen

Burgoa, Brenda

Calleja, Max

Cárdenas Pimentel, Cassandra

Carrillo, Alejandra

Castañeda, América

Castellanos, Alicia

Castellanos, Polo

Castellanos, Teresa

Castillo Solis, Perla

Castorena, Lorella

Castro Hernádnez, Enriqueta

Cázares Torres, Jorge

Celeste Cruz Avilés, Sohuame Tlatzonkime

Cervantes Maya, Georgina

Cevallos Rodríguez, Trinidad

Chapa Romero, Ana Celia

Cid Castro, Carolina

Cisneros, Ixchel

Citalán, Antonio

Colin Huizar, Alberto

Cortés Martínez, Gudelia

Colin Huizar, Alberto

De Boni, Ignacio

De Parres Gómez, Francisco

Delgado Wise, Raúl

Díaz Iñigo, Carolina Elizabeth

Díaz, Alfonso

Echenique March, Felipe Ignacio

Eizaga, Safia

Elkisch, Mariana

Eraña, Angeles

Escutia, Sandra

Esteva, Gustavo.

Etchegaray, Juan Carlos

Fautsch Arranz, Marlene

Favela, Mariana

Felício, Erahsto

Ferrer Amarillas, Elena

Fierro Resendiz, León Sedov

Fierro Resendiz, Sashenka

Fiordelisio, Tatiana

Flores Ordóñez, Ramón

Flores Villagómez, Mayvelin

Flores, Ana Lydia

Fong Fierro, Salvador

Fuentes, Andrea

Fuentes, Citlali

Gajá, Servando

Gálvez de Aguinaga, Fernando

Gallaga Hernández, Tania

García Aguilar, C. Lorena

García Ehrenfeld, Claudio

García Sánchez, Nayeli

García Torres, Lilia

García Vigil, María Hortensia

Garibay Marrón, Siria

Giraldo, Ricardo

Gómez González, Erika Olivia

Gómez Rivera, Marìa Magdalena

Gómez, Magdalena

Gómez Suarez, Abigail P.

González Arenas, Luis Alberto

González Aguilar, Mónica

González Baltasar, Julio

González Gómez, Hortensia

González López, Graciela

González, Karla

González, María Mercedes

Gritón, Antonio

Guerrero, Aracelia

Guerrero, Argelia

Guerrero, Arturo

Guerrero, Fabián

Guerrero McManus, Siobhan

Guijosa Hernández, Ernesto

Gutiérrez Luna, Diana Itzu

Guzmán Delgado, Xóchitl

Guzmán Romero, Jorge Adrián

Hansen, Tom

Hernández Alpizar, Javier

Hernández Baños, Blanca

Hernández Crespo, Tania

Hernandez Flores, Bonifacio

Hernández Navarro, Luis

Hernández Ramírez, Tania Paloma

Hernández Reyes, Itzamna Jesús

Hernández Vargas, Humberto

Hernández, Donovan

Hernández, Valeria

Henao Gaviria, Adriana María

Huacuja del Toro, Malú

Inclán, Daniel

Islas Vargas, Maritza

Iturriaga, Ana María

Iturriaga, Enrique

Iturriaga, Josefina

Iturriaga, Susana

Jarquín, Mauro

Jauregui, Gabriela

Javier Trujillo, Francisco

Jimenez, Luis Felipe

Joselevich Aguilar, Camila

Kaplan, Luciana

Katzestein Ferrer, Elena

Kavi, Ernesto

Lechuga Luna, Martha

Ledesma, Araceli

Leija Salas, Alfonso

Lengualerta

León, Paniagua, Livia

Leyva, Cristian

Loeza Limón, Diana

López Castellanos, Nayar

López De Cea, Ana Valentina

López Lujano, Alejandra

López y Rivas, Gilberto

López, Leonel

López, Modesto

Lozada, Mari

Luna Resonante, Yazz

Luz Lopez, Aida

Macías Esparza, Carlos

Macías Esparza, Rubén

Maldonado, Oreandy

Marcial Urbano, Ivonne

Marcos, Sylvia

Maya, Ytzel

Medina Guerrero, Daniel Omar

Medina Romo, Tonantzin

Mejía Aguilar, María de Lourdes, madre de carlos Sinuhé Cuevas Mejía, estudiante asesinado

Mejía Iturriaga, Belzaín

Mejía Iturriaga, Berenice

Mejía, Felix

Mejía, María de Lourdes

Mendoza Jiménez, Florina

Mendoza Pérez, Arbel Ángel

Merino Lubetzky, Alonso

Millán, Margara

Miranda Herrera, Gregorio

Moedano, Maria Guadalupe

Molina Álvarez, Hugo

Molina Zúñiga, Mónica

Mónaco Felipe, Paula

Mozqueda Martínez, Leticia

Muñoz, Adriana

Muñoz, Lucia Joselin

Nava Gómez, Juan Pablo

Navarro Corona, Claudia Ivette

Ochoa, Sarasuadi

Olea Franco, Adolfo

Ortega Erreguerena, Joel

Ortíz Rosales, Sergio Araht

Ortiz, Verónica

Ortuño Vilchis, Matilde

Osorno, Diego

Padierna Jinenez, Pilar

Paredes Coronel, Heriberto

Parra Sosa, Vicente

Peña, Laura

Peralta Casillas, Maria Cristina

Peregrina, Francisco Humberto

Pérez, Martha Alicia

Portillo Elías, Mercedes Adriana

Quintana Rodríguez, Viviana

Quintanar González, Rafael

Radaelli Martinazzo, Sonia

Radilla, Miguel

Ramos Morales, Patricia

Rangel Chabolla, César

Rentería Argelia

Resendiz Flores, Rosa Paulina

Resendiz Flores, Silvia

Revuelta, Gabo

Ríos Sais, Gerardo

Rivera López, Betzabé

Riviello, Bárbara

Rizo García, Marta

Rodríguez, Benita

Rodríguez Contreras, Roberto “Gato”

Rodriguez, Claudia

Rodríguez, Deni

Rodríguez, Luisa Riley

Rojas Bruschetta, Efraín

Romero Gallardo, Raúl

Rose Jameson, Tlazol Celia

Rosset, Peter Chiapas

RS, Cristina

Salgado, Alvaro

Sánchez, Jorge Alonso

Sancosme, Luis Daniel

Sandoval, Claudia

Sandoval Espinosa, Ana

Sandoval Rincón, Alma Esperanza

Sandoval Uhthoff, Ángela

Santiago Santiago, José Jorge

Santos Baca, Andrea

Schmelz Herner, Itala

Segal, Claudia

Segura, Lourdes

Segura, Paulina

Serna Moreno, J. Jesús María

Solorio Sandoval, Israel Felipe

Sohuame Tlatzonkime

Struck King, Juan Manuel

Suárez Rodríguez, Luis David

Tassinari Azcuaga, Aidee

Torres Alamilla, Silvia

Torres Villalvazo, Santos Emanuel

Trejo Muñoz, Rubén

Troncoso, Mariana Lourdes

Trujano Alfaro, Darío Esteban

Uribe Cevallos, Rodrigo

Venegas, Cecilia

Vera Smith, Ana María

Victoria, Maricarmen

Vilchis Avilés, Dara

Villa, Mónica

Villalobos, Juan Pablo

Villegas, Armando

Volovsek, Iván

Welsh, Martha Elena

Wolffer, Lorena

Yébenes, Zenia

Zamora, Bárbara

Zapata Lillo, Paloma

Zepeda Alvarez, Vannya Yocelyn

Asamblea de Defensores del Territorio Maya Múuch’ Xíinbal

Asociación de exploración científica, cultural y recreativa «BRÚJULA ROJA»

Asamblea Nacional de Braceros

Asociación Sindical de Trabajadores del INVI de la Ciudad de México

Batallones Femeninos

Brigada de Salud Zapatista Pantitlán

Brigada Humanitaria de Paz Marabunta

Brigadas Plásticas

Café “Zapata Vive”

Casa del Centro Tijuana

Cátedra Intercultural Carlos Montemayor

Central Unitaria de Trabajadores de México

Centro Comunitario U kúuchil k Ch’i’ibalo’on -territorio maya-

Centro de Derechos de la Mujer de Chiapas

Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de Las Casas A.C. (Frayba)

Centro de Investigación en Comunicación Comunitaria A.C

Centro de Lengua y Cultura Zoque de Chiapas

Centro Vía Z

CIPOG-EZ-Consejo Indígena Y Popular De Guerrero – Emiliano Zapata

Clinica de Heridas

Colectiva de Mujeres Tejiendo Resistencias

Colectiva Las Sureñas en resistencia y rebeldía

Colectiva Nuestra Alegre Rebeldía en apoyo al CNI y CIG Cuernavaca Morelos

Colectivo Aequus Promoción y defensa de Derechos Humanos

Colectivo Autogestión Libertaria

Colectivo Cuaderno Común

Colectivo de Ilusionistas Sociales

Colectivo de Profes en la Sexta

Colectivo de Psicoanalistas PSIQUEREMOS

Colectivo el Hormiguero

Colectivo La Ceiba

Colectivo La Oveja Roja

Colectivo LOCUS, México

Colectivo Lo de Menos

Colectivo lxs Hijxs del Maíz Pinto

Colectivo Mujeres Tierra AC De Mexicali BC

Colectivo Odontología Comunitaria Sembrando Sonrisas

Colectivo La Oveja Roja

Colectivo Paso Doble en Apoyo al Congreso Nacional Indígena – Concejo Indígena de Gobierno

Colectivo Rural Urbano Asociaçao Oeste (Diadema)

Colectivo Rural Urbano Solidaridad Orgánica

Colectivo Tierra y Libertad

Colectivo Transdisciplinario de Investigaciones Críticas.

Colectivo Zapatista Neza

Comité Estudiantil Metropolitano (CEM)

Comité Promotor Todos Unidos Contra el Nuevo Aeropuerto Internacional de la Ciudad de México (NAICM)

Comunidad Circular AC de Ensenada BC.

Comunidad Indígena Otomí residentes en la CDMX

Cooperativa Hierba Crecida

Cooperativa Tlapaltik

Coordinación de Familiares de Estudiantes Víctimas de la Violencia

Defensores de Tierra y Agua, municipio de Juan C. Bonilla

Desde las Nubes

EcoRed Feminista La Lechuza Buza

Editorial En cortito que’ s pa’ largo

Ediciones del Espejo Somos

El Bordado de Ramona

Enlace Civil

Escuelita Autónoma Otomí

Espacio de Lucha contra el Olvido y la Represión (ELCOR)

Etcétera Errante

Fémina Fatal

Frente de Trabajador@s por el Derecho a la Salud y a la Seguridad Social

Frente del Pueblo Resistencia Organizada, FPRO

Fuerzas Unidas por Nuestros Desaparecidos (as) en Nuevo León

Grietas en el Muro

Grupo de Acompañamiento Político a la familia de Lesvy Berlín Rivera Osorio

Grupo de Teatro «Los Zurdos»

Guardianas y Guardianes del Río Metlapanapa, pueblos de Ometoxtla, Coronango, Almoloya, Nextetelco, Texintla, Xoxtla, Zacatepec y Cuanalá México

Instituto Cultural Autónomo Rubén Jaramillo Ménez (Morelos)

La Bisagra TV

La red del oriente del Estado de México. Resistencia y rebeldía

La Voladora Radio

La Voz del Anáhuac / Trabajadores y Revolución

Laboratorio Popular de Medios Libres

Manu Mayeg A.C

Médicos del Mundo Suiza, Misión México

Mexican Sound

Mexicali Resiste

Meza de Café Zapatista UAM-Iztapalapa

Movimiento al Socialismo, Sección mexicana de la Unidad Internacional de las y los Trabajadores-Cuarta Internacional

Movimiento de Aspirantes Excluidos de la Educación Superior (MAES)

Movimiento Democracia Directa (MDD)

Mujeres que luchan CDMX

Mujeres que Luchan Jrz

Mujeres que Luchan, Resisten y se Organizan

Mujeres y la Sexta

Nodo de Derechos Humanos

Noticias de abajo y Laboratorio Popular de Medios Libres

Nueva Central de Trabajadores

Obeja Negra

Organización Nacional del Poder Popular-PRP

Organización Popular Francisco Villa de Izquierda Independiente

Panteón Rococó

Participantes CompArte “Báilate otro mundo”:

Partido de los Comunistas

Partido Revolucionario del Pueblo

Patrulla Roja

Plantón por los 43 de la ciudad de México

Poesía y Canto

Promotores Culturales ReintegrArte

Proyecto Libre: Educación y Autonomía

Radio Zapote

Red de Apoyo Iztapalapa Sexta (RAIS)

Red de feminismos descoloniales

Red de Mujeres “Porque Acordamos Vivir”

Red de Rebeldía y Resistrenzas

Red de Resistencia y Rebeldía Altas Montañas

Red de Resistencia y Rebeldía de Acámbaro

Red de Resistencia y Rebeldía Jo’

Red de Resistencia y Rebeldía región Este de Guanajuato de Resistencia y Disidencia Sexual y de Género

Red Universitaria Anticapitalista

Regeneración Radio

Residentes de la Honorable Casa Nacional del Estudiante

Resistencias Enlazando Dignidad – Movimiento y Corazón Zapatista

Revista FLUIR

Sector de Trabajadores Adherentes a la Sexta Declaración

Sexta Teatrito Mérida

Shakti ArtEscena S.C.

Sindicato de Trabajadores Académicos de la Universidad Autónoma Chapingo (STAUACh)

Sindicato Mexicano de Electricistas

Skaffo LaFaro

Surco Informativo

Tejiendo Organización Revolucionaria (TOR)

Tlanezi Calli (Casa del Amanecer)

Unión Popular Apizaquence Democrática e Independiente (Upadi)

Universidad de la Tierra-CIDECI, México

Universidad de la Tierra (Oaxaca)

UPREZ Benito Juárez

Urdimbre audivisual

Voces del Viento

Yoloxóchitl-Flor del corazón. Espacio para la salud comunitaria

Zapateando Medios Libres

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Aguascalientes

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Ciudad de México

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Colima

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Guadalajara

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Hidalgo

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN La Laguna

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN León

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Mazatlán

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Morelia

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Nuevo León

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Puebla

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Querétaro

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN San Luis Potosí

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Sinaloa

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Tlaxcala

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Tijuana

Equipo de Apoyo a la Comisión Sexta del EZLN Zacatecas


Desde las montañas del Sureste Mexicano.

Por las mujeres, hombres, otroas, niñ@s y ancian@s del

Ejército Zapatista de Liberación Nacional:

Comandante Don Pablo Contreras y Subcomandante Insurgente Moisés.

México.


Se você(s) que(em) assinar esta Declaração, manda tua assinatura para firmasporlavida@ezln.org.mx. Por favor, informe o nome completo de seu grupo, coletivo, organização ou que seja em seu idioma e sua geografia. As assinaturas serão agregadas conforme vão chegando.

EZNL | SEGUNDA PARTE: A LANCHONETE

Tradução e revisão: Teia dos Povos


Calendário? O atual. Geografia? Qualquer rincão do mundo.

Você não sabe muito bem porquê, mas caminha pela mão de uma menina. Está a ponto de lhe perguntar para onde se dirigem, quando passam em frente a uma grande lanchonete .Um grande letreiro luminoso, como a marquise de um cinema, declara: “A HISTÓRIA COM LETRAS MAIÚSCULAS. Bar e Lanchonete”, e mais embaixo “Não se admitem mulheres, crianças, indígenas, desempregados, outroas, anciãos e anciãs, imigrantes e demais descartáveis”. Algumas mãos brancas agregam “In this place, Black Lives does not matter”. E outra mão varonil adicionou: “Mulheres podem entrar se se comportam como homens”. Ao lado do estabelecimento, se amontoam cadáveres de mulheres de todas as idades e, a julgar pelas roupas feita em farrapos, de todas as classes sociais. Você se detém e, resignada, a menina também. Despontam porta à dentro e vêem uma desordem de homens e mulheres com modos muito masculinos. Sobre o balcão ou mostrador, um varão maneja um taco de beisebol e com ele ameaça à torto e a direito. A multidão está claramente dividida: de um lado aplaudem e do outro vaiam. Todos estão como bêbados: o olhar furioso, a baba escorrendo pela barba, o rosto avermelhado.

Se aproxima de você quem deve ser o porteiro ou algo assim e lhe pergunta:

Quer entrar? Pode escolher o bando que goste. Quer aplaudir ou criticar? Não importa qual escolha, lhe garantimos que terá muitos seguidores, likes, polegares para cima e mais aplausos. Você será famoso acaso lhe ocorre algo genioso, seja a favor ou contra. E ainda que não seja muito inteligente, basta que faça ruído. Tampouco importa se é verdadeiro ou falso o que grite, desde que grite forte.

Você avalia a oferta. Lhe parece atrativa, sobretudo, agora que nem mesmo o cachorro segue você.

É perigoso? Você aventura com timidez.

O segurança o tranquiliza: De maneira alguma, aqui reina a impunidade. Veja você quem está batendo neste turno. Diga qualquer besteira e uns lhe aplaudem e outro o criticam com outras besteiras. Quando essa pessoa terminar seu turno, outra subirá. Já lhe disse antes que não é preciso ser inteligente. E mais, a inteligência aqui é um estorvo. Anime-se. Assim se esquece das enfermidades, da catástrofe, da miséria, das mentiras feitas pelo governo, do amanhã. Aqui a realidade não importa em realidade. O que vale é a moda do turno”.

Você: E o que discutem?

Ah, qualquer coisa. Ambos lados se empenham em frivolidades e idiotices. Como se a criatividade não fosse a sua. E não é. Responde o guarda enquanto examina, temeroso, o alto da edificação.

A menina segue a direção do olhar e, sinalizando o mais alto do prédio, onde se alcança a ver um piso inteiro – todo de vidro espelhado -, e pergunta:

E esses lá de cima estão a favor ou contra?

Ah, não. Responde o homem e acrescenta um sussurro: Esses são os donos da lanchonete. Não necessitam se manifestar por nada, simplesmente se faz o que eles mandam.

Afora, mais adiante no caminho, se olha um grupo de pessoas que, você supõe, não teve interesse em entrar na lanchonete e seguiu seu caminho. Outros tantos saem do estabelecimento aborrecidos, murmurando: “é impossível raciocinar ali dentro” e “em lugar de ‘A História’, deveria se chamar ‘A Histeria’”. Riem e se afastam.

A menina para olhando. Você duvida…

Ela lhe diz: Pode ficar ou seguir. Só seja responsável pela sua decisão. A liberdade não é só poder decidir o que fazer e fazê-lo. É também se tornar responsável do que se faz e da decisão tomada.

Sem falar ainda, você pergunta a menina: E tu, onde vai?

Ao meu povo. Diz a menina, e estendendo suas mãozinhas ao horizonte como se dissesse “ao mundo”.

Desde as montanhas do Sudeste Mexicano

El Sup.Galeano

É méxico, é 2020, é dezembro, é madrugada, faz frio e uma lua cheia olha, assombrada, como as montanhas se incorporam, levantam um pouco as anáguas (vestido tradicional das mulheres indígenas em México) e devagar, muito devagar, começam a andar.


Do caderno de Apontamentos do Gatochorro: Esperança conta a Defesa um sonho que teve.

Daí que estou dormindo e estou sonhando. Claro que eu sei que estou sonhando porque estou dormindo. Então, daí que olho que estou muito longe. Que existam homens e mulheres e outroas muito outros. Que eu não os conheça. Que falem uma língua que não entendo. E tenham muitas cores e modos muito distintos. Façam muita bagunça. Cantem e dancem, falem, discutam, chorem, riam. E não conheço nada do que vejo. Há construções grandes e pequenas. Existem árvores e plantas como os daquia, mas diferentes. Muito diferente é a comida. Ou seja, tudo é muito diferente. Mas o mais estranho é que, não sei porque nem como, sei que estou em minha casa.

Esperança fica em silêncio. Defesa Zapatista termina de tomar o apontamento em seu caderno, e fica olhando e depois de alguns segundos, lhe pergunta:

Sabes nadar?

Dou fé.

Miau-au!