EZLN | CHIAPAS À BEIRA DA GUERRA CIVIL

COMUNICADO DO COMITÊ CLANDESTINO REVOLUCIONÁRIO INDÍGENA- COMANDO GERAL DO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL.

MÉXICO.

19 DE SETEMBRO DE 2021.

AO POVO DO MÉXICO:

AOS POVOS DO MUNDO:

À SEXTA NACIONAL E INTERNACIONAL:

À EUROPA DE ABAIXO E À ESQUERDA:

PRIMEIRO. – EM 11 DE SETEMBRO DE 2021, NAS HORAS DA MANHÃ E ENQUANTO A DELEGAÇÃO AÉREA ZAPATISTA ESTAVA NA CIDADE DO MÉXICO, MEMBROS DA ORCAO, UMA ORGANIZAÇÃO PARAMILITAR A SERVIÇO DO GOVERNO DO ESTADO DE CHIAPAS, SEQUESTRARAM OS CAMARADAS SEBASTÍAN NUÑEZ PEREZ E JOSE ANTONIO SANCHEZ JUAREZ, AUTORIDADES AUTÔNOMAS DA JUNTA DE BOM GOVERNO DE PATRIA NUEVA, CHIAPAS.

A ORCAO É UMA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-MILITAR DE NATUREZA PARAMILITAR, POSSUI UNIFORMES, EQUIPAMENTOS, ARMAS E UM PARQUE OBTIDO COM O DINHEIRO QUE RECEBEM DE PROGRAMAS SOCIAIS. GUARDAM PARTE DO DINHEIRO E DÃO O RESTO AOS FUNCIONÁRIOS PARA QUE ELES POSSAM DIVULGAR O FATO DE QUE ESTÃO CUMPRINDO O ASSISTENCIALISMO. COM ESTAS ARMAS ELES ATIRAM TODAS AS NOITES CONTRA A COMUNIDADE ZAPATISTA DE MOISES E GANDHI.

O EZLN ESPEROU PACIENTEMENTE ATÉ QUE TODOS OS CANAIS POSSÍVEIS PARA UMA SOLUÇÃO ESTIVESSEM ESGOTADOS. ENQUANTO O GOVERNO DO ESTADO DE CHIAPAS SABOTOU E IMPEDIU A LIBERTAÇÃO, FORAM AS ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS E A IGREJA CATÓLICA PROGRESSISTA QUE AVALIARAM CORRETAMENTE O QUE PODERIA ACONTECER.

SEGUNDO. – OS COMPANHEIROS FORAM PRIVADOS DE SUA LIBERDADE POR 8 DIAS E FORAM LIBERTADOS HOJE, 19 DE SETEMBRO DE 2021, GRAÇAS À INTERVENÇÃO DOS PÁROCOS DE SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS E OXCHUC, QUE PERTENCEM À DIOCESE DE SAN CRISTÓBAL. DOS COMPANHEIROS FORAM ROUBADOS UM RÁDIO DE COMUNICAÇÃO E SEIS MIL PESOS EM DINHEIRO PERTENCENTES À JUNTA DO BOM GOVERNO.

TERCEIRO.- O CRIME DE SEQUESTRO É PUNIDO PELAS LEIS DO MAU GOVERNO E PELAS LEIS ZAPATISTAS. ENQUANTO O GOVERNO DO ESTADO DE CHIAPAS ESTÁ ENCOBRINDO E ENCORAJANDO ESSES CRIMES, E NÃO ESTÁ FAZENDO NADA, O EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL PROCEDEU PARA TOMAR AS MEDIDAS NECESSÁRIAS PARA LIBERTAR OS SEQUESTRADOS E PRENDER E PUNIR OS RESPONSÁVEIS PELO CRIME.

QUARTO. – SE O CONFLITO NÃO SE TRANSFORMOU EM TRAGÉDIA, FOI DEVIDO À INTERVENÇÃO DOS CITADOS PÁROCOS, DAS ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS E DAS MOBILIZAÇÕES E DENÚNCIAS QUE ACONTECERAM NO MÉXICO E, SOBRETUDO, NA EUROPA.

QUINTO. – O DESGOVERNO DE RUTILIO ESCANDÓN ESTÁ FAZENDO TODO O POSSÍVEL PARA DESESTABILIZAR O ESTADO DE CHIAPAS DO SUDESTE MEXICANO:

REPRIME COM VIOLÊNCIA @S NORMALISTAS RURAIS.

SABOTA OS ACORDOS FEITOS ENTRE O MAGISTÉRIO DEMOCRÁTICO E O GOVERNO FEDERAL, OBRIGANDO OS PROFESSORES A SE MOBILIZAREM RADICALMENTE PARA QUE SE CUMPRAM ESSES ACORDOS.

SUAS ALIANÇAS COM O NARCOTRÁFICO ESTÃO FORÇANDO AS COMUNIDADES ORIGINÁRIAS A FORMAR GRUPOS DE AUTODEFESA, PORQUE O GOVERNO NÃO FAZ NADA PARA PRESERVAR A VIDA, A LIBERDADE E OS BENS DOS HABITANTES. O GOVERNO DE CHIAPAS NÃO SÓ PROTEGE AS QUADRILHAS NARCOTRAFICANTES, MAS TAMBÉM INCENTIVA, PROMOVE E FINANCIA GRUPOS PARAMILITARES COMO OS QUE ATACAM CONTINUAMENTE AS COMUNIDADES EM ALDAMA E SANTA MARTHA.

ESTÁ SEGUINDO UMA POLÍTICA DE VACINAÇÃO PROPOSITALMENTE LENTA E ALEATÓRIA QUE ESTÁ PROVOCANDO DESCONTENTAMENTO ENTRE A POPULAÇÃO RURAL E QUE LOGO EXPLODIRÁ. ENQUANTO ISSO, O NÚMERO DE MORTES POR COVID NAS COMUNIDADES ESTÁ AUMENTANDO SEM SER LEVADO EM CONTA.

SEUS FUNCIONÁRIOS ESTÃO ROUBANDO O MÁXIMO QUE PODEM DO ORÇAMENTO ESTATAL. TALVEZ SE PREPARANDO PARA UM COLAPSO DO GOVERNO FEDERAL OU APOSTANDO EM UMA MUDANÇA DO PARTIDO NO PODER.

AGORA TENTOU SABOTAR A PARTIDA DA DELEGAÇÃO ZAPATISTA QUE PARTICIPA DA JORNADA PELA VIDA, CAPÍTULO EUROPA, ORDENANDO A SEUS PARAMILITARES DE ORCAO QUE RAPTASSEM NOSSOS CAMARADAS, DEIXANDO O CRIME IMPUNE, E TENTANDO PROVOCAR UMA REAÇÃO DA EZLN A FIM DE DESESTABILIZAR UM ESTADO CUJA GOVERNABILIDADE PENDE EM UMA BALANÇA.

SEXTO. – SE O OBJETIVO DO PARTIDO VERDE ECOLOGISTA DO MÉXICO (PVEM) É PROVOCAR UM PROBLEMA QUE TERÁ REPERCUSSÕES INTERNACIONAIS, ASSIM COMO DESESTABILIZAR O REGIME NO PODER, É MELHOR QUE RECORRA À CONSULTA DE REVOGAÇÃO DE MANDATO.

O PVEM É UM DOS NOMES QUE O VELHO PRIÍSMO USA NESTAS TERRAS. ÀS VEZES É PAN, ÀS VEZES É PRD, AGORA É PVEM MAL DISFARÇADO COMO O PARTIDO DO MOVIMENTO DE REGENERAÇÃO NACIONAL. ELES SÃO OS MESMOS DELINQUENTES DE ANTES E AGORA FAZEM PARTE DO MOVIMENTO ERRONEAMENTE CHAMADO DE “OPOSIÇÃO”, COMO UMA “QUINTA COLUNA” NA QUARTA GUERRA MUNDIAL.

OS RESPONSÁVEIS SÃO: Rutilio Escandón e Victoria Cecilia Flores Pérez.

SE O QUE QUEREM É REMOVER O ATUAL GOVERNO FEDERAL, OU PROVOCAR DIFICULDADES NA RETALIAÇÃO PELAS INVESTIGAÇÕES PENAIS QUE ELES TÊM CONTRA ELES, OU SE ESTÃO JOGANDO EM UMA DAS FACÇÕES QUE DISPUTAM A SUCESSÃO EM 2024, USEM OS CANAIS LEGAIS DISPONÍVEIS E DEIXEM DE JOGAR COM A VIDA, LIBERDADE E BENS DOS POVOS CHIAPANECOS. VOTEM E CHAMEM O VOTO PARA A REVOGAÇÃO DO MANDATO E PAREM DE BRINCAR COM O FOGO PORQUE SE QUEIMARÃO.

SÉTIMO. – CHAMAMOS A EUROPA DE BAIXO E À ESQUERDA E A SEXTA NACIONAL E INTERNACIONAL A SE MANIFESTAR DIANTE DAS EMBAIXADAS E CONSULADOS DO MÉXICO, E NAS CASAS DO GOVERNO DO ESTADO DE CHIAPAS, PARA EXIGIR QUE ACABEM COM AS PROVOCAÇÕES E ABANDONEM O CULTO DA MORTE QUE PROFESSAM. A DATA É SEXTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2021.

DIANTE DA AÇÃO E OMISSÃO DAS AUTORIDADES ESTADUAIS E FEDERAIS DIANTE DOS CRIMES ATUAIS E ANTERIORES, TOMAREMOS AS MEDIDAS PERTINENTES PARA QUE A JUSTIÇA SEJA APLICADA AOS CRIMINOSOS DA ORCAO E AOS FUNCIONÁRIOS QUE OS APADRINHAM.

É TUDO. PARA OUTRA OCASIÃO, NÃO HAVERÁ COMUNICADO. OU SEJA, NÃO HAVERÁ PALAVRAS, MAS ATOS.

Das montanhas do sudeste mexicano.

Em nome do CCRI-CG do EZLN.

Subcomandante Insurgente Galeano.

México, 19 de setembro de 2021.

LANÇAMENTO: O PIOR ANO DE NOSSAS VIDAS

É com imensa felicidade que comunicamos o lançamento do livro “O pior ano de nossas vidas: retrospectiva 2020“, organizado por Raphael Sanz e Gabriel Brito, do Correio da Cidadania.

Na obra, que reúne uma série de artigos publicados no Correio, podemos observar uma série de análises críticas sobre a situação brasileira que nos ajuda hoje, em 2021, a entender a conjuntura do período, e especialmente, impedir o perdão e o esquecimento das forças que nos jogaram na situação de risco em em que estamos. Da mesma forma, é um chamado para resistirmos coletivamente, e de forma ampla, a todos os ataques do passado, do presente, e os que virão.

“O pior ano de nossas vidas”, com 176 páginas e capa em papel reciclado 220g, pode ser encomendado pelo valor de R$30,00 com frete grátis para todo o país. Os primeiros 30 exemplares acompanharão o pôster “Ousar lutar, ousar vencer!”, confeccionado em papel reciclado 75g no tamanho A4. Encomende em nossa loja online, pelo link https://linktr.ee/tsa.editora

LANÇAMENTO | “NAÇÃO DEMOCRÁTICA”, DE ABDULLAH ÖCALAN

É com imenso prazer que hoje lançamos o livro “Nação Democrática“, de Abdullah Öcalan. Esta liverto apresenta o projeto “nação democrática” dirigido por Abdullah Öcalan, preso na ilha de Imrali (Turquia) desde 1999. Com base na rejeição do estado-nação e da união de comunidades plurais de cidadãos livres e iguais, este projeto tem sido a força motriz por trás da revolução democrática em Rojava (norte da Síria) desde 2012. A influência do pensamento de Abdullah Öcalan. na política do Oriente Médio também torna essencial para qualquer pessoa interessada nos eventos atuais na região a leitura deste livreto.

A obra, que conta com 60 páginas e em breve será disponibilizada em formato digital para download gratuito, poderá ser encomendada pelo valor de R$15,00 com frete grátis para todo o país. Durante sua pré-venda, acompanhará o pôster “O futuro é o Confederalismo Democrático”. Pode ser adquirida em nossa loja, pelo link https://linktr.ee/tsa.editora

“O confederalismo democrático apresenta a opção de uma nação democrática como a ferramenta fundamental para resolver os problemas étnicos, religiosos, urbanos, locais, regionais e nacionais causados pelo monolítico, homogêneo e monocromático modelo social fascista implementado pelo estado-nação moderno”.

Abdullah Öcalan

Abdullah Ö.

LANÇAMENTO DO LIVRO “PENSAR O AFEGANISTÃO A PARTIR DO CONFEDERALISMO DEMOCRÁTICO”

É com imensa felicidade que disponibilizamos para download gratuito o livro “Pensar o Afeganistão a partir do Confederalismo Democrático“, organizado a partir das reflexões de diversas autoras, autores, movimentos e organizações que buscam traçar mecanismos de solidariedade internacionalista entre o Afeganistão atual a partir do pensamento-base da Revolução curda. São 09 textos traduzidos ao português por nós da TsA, na expectativa de , além de demonstrar que, em meio a destruição criada para a manutenção da modernidade capitalista no Oriente Médio e no mundo, temos sólidos exemplos de solidariedade, coragem e força que tentam derrotar a hidra capitalista com as próprias mãos.

Pensar o Afeganistão a partir do Confederalismo Democrático” está disponível gratuitamente para download em nossa biblioteca virtual David Graeber, ou diretamente pelo link: https://bit.ly/3kKgHyJ

EZLN | PELA VIDA: SAÍDA DE LA EXTEMPORÁNEA PARA A EUROPA

Comissão Sexta Zapatista

México.

30 de agosto de 2021.

Para a Europa de abaixo e à esquerda:

Para a Sexta Nacional e Internacional:

Às organizações, grupos e coletivos que buscam a verdade e a justiça para seus ausentes:

Irmãs, irmãos, irmãoas:

Companheiroas, companheiras, companheiros:

Gostaríamos de começar estas palavras saudando a luta e o compromisso de todas aquelas pessoas que estão procurando seus ausentes, @s desaparecid@s. Sua luta é também, e acima de tudo, uma luta pela vida. Não é coincidência que, neste dia, anunciemos o seguinte:

Primeiro. – Após uma infinidade de trâmites, obstáculos e problemas, anunciamos que a companhia zapatista aerotransportada, a que chamamos “La Extemporánea”, deixará a Cidade do México para a Europa no dia 13 de setembro de 2021.

Segundo. – O destino é a cidade de Viena, na geografia que eles chamam de Áustria, e viajaremos em dois grupos.

Terceiro. – O primeiro grupo deixará o aeroporto da Cidade do México em 13 de setembro de 2021, aproximadamente às 12h10. Chegará à cidade de Madri, na geografia chamada Espanha, às 06h00 do dia 14 de setembro. Após uma escala e deslocamento de 2 horas, decolará novamente às 08:20 para aterrissar em Viena, Áustria, às 11:05 do dia 14 de setembro. Um segundo grupo partirá no mesmo dia 13 de setembro às 20:45 com escala, também em Madri, às 14:35 do dia 14, retomando o vôo às 16:00 e aterrissando em Viena às 1900 horas do mesmo dia, 14 de setembro.

Quarto. – La Extemporánea está organizada em 28 equipes de Escuta e Palavra (formadas por 4-5 membros cada uma), 1 equipe de Jogo e Travessura, e 1 Coordenador. A “Extemporánea” pode, assim, cobrir 28 cantos da Europa simultaneamente.

Poucos dias depois, a delegação do Congresso Nacional Indígena-Consejo Indígena de Gobierno e da Frente de Pueblos en Defensa de la Tierra y el Agua será incorporada.

Junto a esta delegação destas organizações irmãs, continuaremos o trabalho iniciado pelo chamado Esquadrão 421, que atualmente cobre a geografia que eles chamam de Suíça.

Quinto. – Dentro de mais alguns dias daremos detalhes da data em que deixaremos o Semillero “Comandanta Ramona” para nos concentrarmos no caracol Jacinto Canek, em San Cristóbal de las Casas, Chiapas. De lá, iremos por terra, em uma caravana veicular, para a Cidade do México, onde ficaremos alojados nas instalações de Carmona y Valle até o dia e hora da partida. Caso alguém queira acompanhar a partida e a viagem de San Cristóbal à Cidade do México.

Sexto. – Dedicamos este esforço (que incluiu muitos não-Zapatistas e alguns até anti-Zapatistas), a todas as desaparecidas, às famílias que sofrem sua ausência e, acima de tudo, às mulheres e homens que lutam para encontrá-las e conseguir a verdade e justiça que todos precisamos e merecemos. Saibam que seu exemplo, seu trabalho incansável e seu não render-se, não vender-se e não ceder, são para nós, os povos zapatistas, uma lição de dignidade humana e de compromisso autêntico com a luta pela vida.

Nos dias em que estivermos na Cidade do México, entregaremos as atas das assembleias das comunidades zapatistas, não zapatistas e anti-zapatistas, com seus acordos de apoio à luta pela verdade e justiça para as vítimas da violência, de acordo com a consulta realizada no dia primeiro de agosto deste ano de 2021.

Isso é tudo.

Das montanhas do sudeste mexicano.

Subcomandante Insurgente Moisés.

Coordenador Geral da Travessia pela Vida – Capítulo Europa.

Ainda no México. Ano 501.

EZLN | APENAS 500 ANOS DEPOIS

13 de agosto de 2021.

Irmãs, irmãos e irmãoas:

Companheiros, companheiras, companheiroas:

Por nossas vozes falam as comunidades zapatistas.

Primeiro queremos agradecer.

Agradecer que tenham nos convidado.

Agradecer que tenham nos recebido.

Agradecer que tenham nos hospedado.

Agradecer que tenham nos alimentado.

Agradecer que tenham nos cuidado.

Mas, acima de tudo agradecer-lhes que, apesar de suas diferenças e discordâncias, se colocaram em acordo para isso que hoje fazemos. Que talvez lhes pareça pouco, mas para nós, povos zapatistas, é muito grande.

-*-

Somos Zapatistas de raiz maia.

Somos de uma geografia chamada México e atravessamos o oceano para dizer-lhes estas palavras, para estar com vocês, para escutá-los, para aprender com vocês.

Somos do México e em vocês e com vocês encontramos afeto, cuidado, respeito.

O Estado mexicano e seus governos não nos reconhecem como nacionais desta geografia: somos estranhos, estrangeiros, indesejáveis, inoportunos nos mesmos solos que foram cultivados por nossos antepassados.

Para o Estado mexicano somos “extemporâneos”, é o que diz a certidão de nascimento, que, depois de muitas despesas e viagens de nossas aldeias para os escritórios do mau governo, conseguimos obter. E o fizemos para poder chegar até vocês.

Mas não viemos aqui para reclamar, nem mesmo para denunciar o mau governo que padecemos.

Só lhe dizemos isto porque foi aquele mau governo que exigiu que o Estado espanhol pedisse desculpas pelo que aconteceu 500 anos atrás.

Devem entender que, além de ser sem vergonha, o mau governo do México também é ignorante da história. A torce e ajusta de acordo com sua própria conveniência.

Portanto, deixemos de lado os maus governos que todos nós padecemos em nossas próprias geografias.

Eles são apenas capatazes, funcionários obedientes de um criminoso maior.

-*-

Aqueles de nós que formam o Esquadrão Marítimo Zapatista, conhecidos como o Esquadrão 421, estamos aqui diante de vocês hoje, mas somos apenas o antecedente de um grupo maior. Até 501 delegados, e somos 501 apenas para mostrar aos maus governos que estamos à frente deles, enquanto eles fingem uma falsa celebração de 500 anos, nós, já estamos na próxima etapa: a vida.

No ano 501, teremos que percorrer os cantos desta terra insubmissa.

Mas não se preocupem. Os 501 delegados não virão todos de uma só vez, mas virão por partes.

Neste momento, nas montanhas do sudeste mexicano, se está preparando a companhia zapatista aerotransportada que chamamos “La Extemporánea” e que é composta por mulheres, homens, meninos e meninas zapatista.

Com esta companhia aerotransportadora viajará também uma delegação do Conselho Nacional Indígena – Conselho Indígena de Governo e da Frente de Povos em Defesa da Terra.

Todas, todoas, todos têm padecido para conseguir documentos e vacinas. Têm adoecido e melhorado. Passam fome e têm estado longe de suas famílias, suas comunidades, sua terra, sua língua, sua cultura.

Mas todos, todas e todoas estão animados e entusiasmados para conhecê-los, mas não em grandes atos, e sim nos lugares onde vocês resistem, se rebelam e lutam.

Pode parecer a alguns que estamos interessados em grandes atos e o impacto midiático, e assim valorem os sucessos e fracassos.

Mas aprendemos que as sementes são trocadas, semeadas e crescem no cotidiano, em nosso próprio solo, com os saberes de cada um de nós.

O amanhã não é cultivado à luz, ele é cultivado, cuidado e nascido nas sombras despercebidas da madrugada, quando a noite está apenas começando a ceder terreno.

Os terremotos que abalam a história da humanidade começam com um “ya basta” isolado, quase imperceptível. Uma nota discordante no meio do barulho. Uma rachadura no muro.

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É por isso que não viemos para trazer receitas, para impor visões e estratégias, para prometer futuros luminosos e instantâneos, praças completas, soluções imediatas. Nem viemos para convocá-los a uniões maravilhosas.

Viemos para escutá-los.

Não será fácil, é verdade.

Somos tão diferentes, tão distintos, tão distantes, tão contrários e, acima de tudo, tão contraditórios.

Tantas coisas nos separam.

Talvez, quando falamos, quer queiramos ou não, não apenas contamos nossa história, mas também mostramos nossa convicção de que o que é nosso é o que conta, é a verdade.

Cada olhar para o passado nos divide. E não é por nada que esta diferença. Em cada olhar há raiva e dor que com legitimamente olham para o passado.

É verdade que quando olhamos a história passada, procuramos encontrar o que queremos. Sejam raivas, rancores, condenações ou absolvições.

Assim podemos julgar e condenar. Mas a justiça é esquecida.

E assim podemos encontrar muitas coisas que nos dividem e nos confrontam.

Temos discussões em nossa família, em nosso grupo, coletivo, organização. Em nosso bairro. Em nossa região. Em nossa geografia.

Todos têm uma dor que marca. Uma raiva que move.

E essas dores e essas raivas, que não são poucas, estão aí.

E os povos zapatistas dizem que só uma ameaça maior, uma dor mais terrível, uma raiva maior, é o que pode nos fazer concordar em direcionar essa raiva e essa dor mais para cima.

Mas não é que estas diferenças desapareçam, como nos falsos apelos à “unidade” que os de cima costumam fazer quando os debaixo os responsabilizam.

Não, o que nós comunidades zapatistas estamos falando é de uma causa, um motivo, um objetivo: a vida.

Não se trata de abandonar convicções e lutas. Pelo contrário. Pensamos que as lutas de mulheres, de outroas, de trabalhadores, de originários, não só não devem parar, mas devem ser mais profundas e radicais. Cada um enfrenta uma ou mais cabeças da Hidra.

Porque todas estas lutas, suas e de nós povos zapatistas, são pela vida.

Mas enquanto não destruirmos o monstro em seu coração, essas cabeças continuarão a brotar e a mudar de forma, mas com maior crueldade.

-*-

Agora, nestes tempos, assistimos e sofremos uma destruição gigantesca; a destruição da natureza, com a humanidade inclusa.

Pois sob os escombros, as cinzas, a lama, a água suja, as pandemias, a exploração, o desprezo, a despossessão, o crime, o racismo e a intolerância, há seres humanos sem vida. E cada vida é uma história que se torna um número, uma estatística, um esquecimento.

O futuro, a história por vir, é, como o presente, um verdadeiro pesadelo. E, justamente quando pensamos que não pode ficar pior, a realidade vem nos golpeando na cara.

E então cada um vê por si mesmo e, no melhor dos casos, por aqueles próximos: sua família, seus amigos, seus conhecidos.

Mas, assim como em cada canto do planeta, em cada coração que bate, há uma desgraça presente e um ainda por vir, há também uma resistência, uma rebelião, uma luta pela vida.

Porque viver não é só não morrer, não é só sobreviver. Viver como seres humanos é viver com liberdade. Viver é arte, é ciência, é alegria, é dança, é luta.

E, claro, viver é também discordar de uma coisa ou de outra, discutir, debater, confrontar.

Então há alguém ou algo que nos impede de viver, que nos rouba nossa liberdade, que nos engana, que nos estafa, que nos encurrala, que nos tira o mundo de cada um com mordidas, com cortes, com feridas.

Aqui podemos escolher o responsável. Buscar de um culpado. Confrontá-lo e fazer justiça. Alguém ou algo para pagar, para responder por aquela dor que nos deixa sozinhos, sozinhas, sozinhoas. Que nos encurrala em uma ilha cada vez menor, tão minúscula que só resta o eu de cada um de nós.

E mesmo ali, na pequena ilha, longe de tudo e de todos, somos forçados a ser algo mais, a não ser o que somos. Nossa história individual que tem sua parte na história coletiva: um quarto, uma casa, um bairro, uma comunidade, uma geografia, uma causa que deve ser mudada e traída para fazer parte de algo mais.

Uma mulher que seja do agrado do homem. Umoa outroa que seja aceita pelo hetero. Uma juventude para a satisfação da maturidade. Uma velhice tolerada pela juventude. Uma infância em disputa por jovens, adultos, idosos. Uma força de trabalho eficiente e dócil para o capataz. Um capataz subserviente ao chefe.

E esta pressão para nos tornarmos o que não somos assume a forma de violência.

E é estrutural. Todo o sistema é construído para impor o molde da normalidade.

Se somos mulheres, devemos ser mulheres de acordo com o molde masculino.

Se somos outroas, devemos ser outroas de acordo com o molde heterossexual.

Por exemplo, existem até mesmo clínicas para “corrigir” a diferença sexual.

Bem, o sistema é uma clínica gigantesca e brutal que “cura” a “anormalidade”. Uma máquina que ataca, isola e liquida o outro, o diferente.

É assim que eles nos conduzem, dia e noite, tentando nos domar, tentando nos domesticar.

E nós, então, resistimos. Todas as nossas vidas e gerações inteiras resistem, rebelando-se. Dizendo “não” à imposição. Gritando “sim” à vida.

Não é novidade, é verdade. Poderíamos remontar cinco séculos e a mesma história.

E o ridículo de tudo isso é que aqueles que nos oprimem agora, fingem assumir o papel de nossos “libertadores”.

-*-

No entanto, algo é diferente. É que a dor da terra, da natureza, também se uniu à nossa.

E aqui podemos concordar ou discordar. Podemos dizer que não é verdade, que as pandemias acabarão, que as catástrofes cessarão, que o mundo, que nossa vida no mundo, voltará a ser como era antes. Mesmo que esse “antes” fosse e seja de dor, destruição e injustiça.

Nós, os povos zapatistas, pensamos que não será assim. Isso não só não vai voltar a ser como era. Que vai ficar pior.

Nós, as comunidades zapatistas, nomeamos o responsável por esses males e o chamamos de “capitalismo”.

E também dizemos que somente com a destruição total deste sistema será possível para cada um, segundo sua maneira, seu calendário e sua geografia, construir outra coisa.

Não perfeito, mas melhor.

E aquilo que for construído, essas novas relações entre os seres humanos e entre a humanidade e a natureza, receberá o nome que cada um quiser.

E sabemos que não será fácil. Que já não é.

E sabemos que não seremos capazes de fazê-lo sozinhos, cada um de nós lutando contra a cabeça da hidra que temos de suportar, enquanto o coração do monstro cresce e cresce ainda mais.

E, acima de tudo, sabemos que não teremos que esperar por esse amanhã, quando finalmente a besta arda e seja consumida até que tudo o que restar dela seja uma má recordação.

Mas também sabemos que faremos nossa parte, mesmo que seja pequena, mesmo que seja esquecida pelas gerações vindouras.

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Como comunidades zapatistas, vemos sinais.

Mas talvez estejamos equivocados como os povos que somos.

Dizem que somos ignorantes, atrasados, conservadores, opositores ao progresso, pré-modernos, bárbaros, incivilizados, indesejáveis e inconvenientes.

Talvez seja assim.

Talvez estejamos atrasados porque, como mulheres ou como outroas, podemos sair para um passeio sem medo de que nos ataquem, nos violem, nos desmembrem, nos desapareçam.

Talvez sejamos contra o progresso porque nos opomos aos megaprojetos que destroem a natureza e nos destroem como povos, e que deixam a morte como herança para as gerações que virão.

Talvez sejamos contra a modernidade porque nos opomos a um trem, uma rodovia, uma barragem, uma termoelétrica, um centro comercial, um aeroporto, uma mina, um depósito de material tóxico, a destruição de uma floresta, a poluição de rios e lagoas, o culto aos combustíveis fósseis.

Talvez sejamos atrasados porque honramos a terra em vez de dinheiro.

Talvez sejamos bárbaros porque cultivamos nossa própria comida. Porque trabalhamos para viver e não para ganhar pagamentos.

Talvez sejamos inoportunos e inconvenientes porque nos governamos como povos que somos. Porque consideramos o trabalho de governo como apenas mais um trabalho comunitário a ser feito.

Talvez sejamos rebeldes porque não nos vendemos, porque não nos rendemos, porque não desistimos.

Talvez sejamos todas aquelas coisas que dizem sobre nós.

-*-

Mas vemos algo, escutamos algo, sabemos que algo está acontecendo e vai acontecer.

E é por isso que estamos nesta viagem. Porque pensamos e sabemos que não somos os únicos a lutar, que não somos os únicos a ver o que está acontecendo e o que vai acontecer.

Nosso canto do mundo é uma pequena geografia de luta pela vida.

Estamos à procura de outros cantos e queremos aprender com eles.

É por isso que viemos aqui, não para trazer-lhe reprovações, insultos, reclamações e cobranças por dívidas não pagas.

Embora esteja na moda e embora alguém diga que sim, estamos certos nestas reivindicações ou que não sabemos o que devemos fazer e eles, os maus governos, o farão por nós.

E que é moda para estes maus governos esconderem-se atrás de um nacionalismo de papelão.

E que, sob a bandeira do nacionalismo, nos cobrimos a nós mesmos e àqueles que nos oprimem, que nos perseguem, que nos assassinam, que nos dividem e que nos confrontam.

Não. Não viemos aqui para isso.

Por trás dos nacionalismos se escondem não só as diferenças, mas também e sobretudo os crimes. Sob um mesmo nacionalismo se abrigam o macho violento e a mulher agredida, a intolerância heterossexual e a alteridade perseguida, a civilização depredadora e o povo originário aniquilado, o capital explorador e os trabalhadores subjugados, os ricos e os pobres.

As bandeiras nacionais escondem mais do que mostram, muito mais.

É porque pensamos que o nosso compromisso com a vida é global. Não reconhece fronteiras, idiomas, cores, raças, ideologias, religiões, sexos, idades, tamanhos, bandeiras.

É por isso que a nossa travessia é uma Travessia pela Vida.

-*-

Esta é uma das poucas vezes em que tomaremos a palavra em um evento onde alguns falam e muitos escutam.

E aproveitamos esta oportunidade para fazer um pedido respeitoso.

Conte-nos sua história. Não importa se é grande ou pequena.

Conte-nos sua história de resistência, de rebeldia. Sua dores, suas raivas, seus “nãos” e seus “sims”.

Porque nós, as comunidades zapatistas, viemos para ouvir e aprender a história que está em cada habitação, em cada casa, em cada bairro, em cada comunidade, em cada língua, em cada modo e e em cada não-modo.

Porque, depois de tantos anos, aprendemos que em cada dissidência, em cada rebelião, em cada resistência, há um grito de vida.

E, segundo nós, povos zapatistas, é sobre isso que se trata: a vida.

E, quando em um dia qualquer alguém lhes pergunte “para que vieram os zapatistas?”, juntos podemos responder, sem constrangimento para vocês e sem vergonha para nós, “vieram para aprender”.

500 anos depois, as comunidades zapatistas vieram para nos escutar.


De Madri, na geografia que chamam de Espanha,

e nestes solos e sob estes céus conhecidos como

SLUMIL K’AJXEMK’OP, ou “terra insubmissa“.

Em nome das comunidades zapatistas.

O Esquadrão Marítimo Zapatista, chamado “Esquadrão 421”.

Planeta Terra. 13 de agosto, apenas 500 anos depois.

YPJ – O PODER ORGANIZADO DAS MULHERES DESTRUIRÁ A MENTALIDADE DOS OPRESSORES

A situação atual no Afeganistão é dolorosa e preocupante para todas as mulheres em luta e para os círculos pró-democracia. O sistema hegemônico da política mundial tem dado toda ajuda possível aos Talibã para interromper a vontade das mulheres e do povo para realizar seus interesses expressos através de seus representantes, e como resultado desta cooperação das forças capitalistas globais, o Afeganistão tem sido entregue aos Talibã. As forças dominantes nunca poderão compreender a terra do povo que lá vive por anos ou conhecer os valores da sociedade em que cresceram e levar em conta a vontade do povo e das mulheres. Acontecimentos recentes no Afeganistão mostraram que a população e especialmente as mulheres não podem mais depender de poderes estrangeiros ou dos poderes hegemônicos. A construção e manutenção de uma sociedade moral, política, igualitária e segura só pode ser alcançada através do poder da sociedade.

Assim como as forças imperialistas com a vanguarda do Estado turco e suas quadrilhas invadiram Rojava e o Norte e Leste da Síria, sequestraram mulheres na região, mataram crianças, idosos e doentes, o mesmo está acontecendo hoje no Afeganistão contra as mulheres e os povos da região. Como o Unidades de Defesa das Mulheres (YPJ), temos acompanhado os ataques ao Afeganistão com grande preocupação e nos sensibilizamos profundamente com as mulheres e os povos da região. Ao mesmo tempo, agora nos dói no fundo do coração que a vontade das mulheres no Afeganistão tenha sido brutal e desumanamente desconsiderada e que o Afeganistão tenha agora sido entregue aos opressores.

As decisões dos Talibã em relação às mulheres e à sociedade do Afeganistão são ilegais e antidemocráticas. Ou seja, estão tentando redesenhar as mulheres e a sociedade afegã de acordo com sua ideologia de poder através da ocupação. Esta abordagem está além do livre arbítrio e da humanidade.

Mas não devemos esquecer que a única solução para a liberdade é sempre acreditar em nossa própria resistência natural, nos organizarmos e fortalecer a vontade de lutar pela liberdade. Assim como nós das YPJ temos resistido ISIS, os ocupantes turcos e suas gangues com a força organizada das mulheres, fortalecido e aumentado nosso exército, as mulheres afegãs também podem se tornar uma força de liberdade com sua resistência e organização. As mulheres afegãs devem insistir em seus direitos legais, econômicos e na administração de seu país. Os verdadeiros habitantes deste país são as mulheres, e as mulheres afegãs devem ser capazes de exercer seu livre arbítrio em uma nova era, em uma organização mais eficaz do que nunca.

Nós, como YPJ, expressamos nosso apoio às mulheres do Afeganistão e dizemos que, em todas as situações, é necessário que as mulheres se organizem com liberdade e determinem sua luta contra as forças dirigentes. Devem se lembrar que a esperança é mais valiosa do que o sucesso. Construa forças na esperança de um futuro livre. Quando a força das mulheres se torna uma só, as forças governantes não podem mais se opor ao poder das mulheres organizadas e realizar ações desumanas. Finalmente, apelamos a todas as mulheres democráticas do mundo para que se manifestem contra esta crise humanitária e expressem seu apoio às mulheres afegãs. Também estamos acompanhando de perto a situação das mulheres afegãs, expressando nossa solidariedade e desejando-lhes todo o sucesso.

Comando Geral das YPJ

“AS LUTAS DAS MULHERES AFEGÃS CONTRA O PATRIARCADO, O IMPERIALISMO E O CAPITALISMO” – ENTREVISTA DA ASSOCIAÇÃO REVOLUCIONÁRIA DAS MULHERES DO AFEGANISTÃO (RAWA) PARA O MOVIMENTO DE MULHERES CURDAS

As mulheres do Afeganistão têm sido afetadas pelas guerras e pela ocupação de seu país por décadas. A situação das mulheres afegãs tem sido frequentemente instrumentalizada pelas forças imperialistas, especialmente os Estados Unidos, para justificar e legitimar suas políticas belicistas na região. As mulheres sempre estiveram à frente da luta contra as forças imperialistas e fundamentalistas em seu país.

A seguir, uma entrevista conduzida por ativistas do Movimento de Mulheres Curdas com Samia Walid, ativista da RAWA (Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão).


MK: Você pode nos falar sobre a história e a missão da RAWA? Qual era a situação das mulheres afegãs quando sua organização foi criada? Qual é o papel delas na sociedade? Como se organizam?

SW: A Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão (RAWA) é a mais antiga organização de mulheres do país que luta pela liberdade, democracia, justiça social e laicismo. A RAWA trabalha na clandestinidade na maior parte do Afeganistão, enfrentando enormes dificuldades. Todas nós usamos pseudônimos para nos proteger e nunca podemos tornar nosso trabalho público.

Nossas atividades políticas incluem a publicação de revistas e artigos, e a mobilização das mulheres para aumentar a conscientização e unir-se à nossa luta. Coletamos e documentamos os assassinatos, estupros, saques, extorsões e outros crimes desses senhores da guerra em áreas remotas do Afeganistão. Nossas atividades sociais consistem em proporcionar educação para as mulheres, não apenas aulas de alfabetização, mas consciência social e política de seus direitos e de como alcançá-los, ajuda de emergência, criação de orfanatos e atividades relacionadas à saúde.

MK: Qual é sua análise do patriarcado e como ele está ligado ao Estado, ao imperialismo e ao capitalismo?

SW: O Patriarcado é constantemente apoiado e alimentado por governos feudais, capitalistas e imperialistas reacionários em todo o mundo, principalmente para apagar o papel da mulher na sociedade, especialmente na política. Governos de todos os tipos, especialmente governos feudais ligados aos colonizadores imperialistas, como o do Afeganistão, veem a força e a consciência das mulheres como uma séria ameaça à sua dominação e têm usado vários meios para deter seu crescimento e consciência.

Tendo em conta que esses governos são antipopulares por natureza, e só podem perdurar oprimindo as massas e sua luta; a aniquilação das mulheres é seu principal objetivo. Ao reforçar a misoginia e a cultura feudal, privam as mulheres de todos os seus direitos, paralisam metade da sociedade e garantem que não haverá luta ou resistência contra elas. Estes governos nunca tomam nenhuma medida para a emancipação das mulheres, mas apertam a corrente em torno de nós. Hoje, a situação das mulheres afegãs é mais desastrosa do que nunca.

Os Estados Unidos invadiram o Afeganistão sob o pretexto dos “direitos das mulheres”, mas tudo o que trouxe para nossas mulheres nos últimos dezoito anos foi violência, assassinatos, violência sexual, suicídios, autoimolações e outras desgraças. Os Estados Unidos levaram ao poder os mais ferozes inimigos das mulheres afegãs, os fundamentalistas islâmicos, e cometeram uma traição imperdoável contra nossas sofridas mulheres. Esta tem sido a tática deles nas últimas quatro décadas. Alimentando os jihadistas, os talibãs e o ISIS, que são todos fundamentalistas islâmicos, criminosos assassinos e também misóginos. Os Estados Unidos têm oprimido nossas mulheres.

MK: De que maneira vinculam a libertação das mulheres à resistência contra a ocupação?

SW: Vemos a libertação das mulheres afegãs em sua libertação do colonizador imperialista, dos fundamentalistas islâmicos e do governo fantoche. A liberdade da mulher está diretamente ligada à resistência e à luta revolucionária contra a principal causa de seu sofrimento e desgraça, ou seja, os ocupantes e seus lacaios internos. Acreditamos que os fundamentalistas e os grupos assassinos e corruptos, ligados aos saques e outros crimes e traições, não têm outra fonte de apoio que as potências estrangeiras, sem as quais não sobreviveriam um dia. Ao elevar a consciência política das mulheres e ao expor a essas pessoas como a causa fundamental de suas desgraças, queremos organizar as mulheres em uma resistência contra eles, que serão tão facilmente aniquiladas como foram criados por seus mestres estrangeiros.

MK: Os direitos das mulheres afegãs foram instrumentalizados, especialmente pelo imperialismo norte-americano para justificar e legitimar a invasão do Afeganistão. Como esta narrativa tem prejudicado a luta das mulheres no território?

SW: Os Estados Unidos são mestres em desviar a luta revolucionária e política do povo, especialmente das mulheres. Nos últimos dezoito anos, além de apoiar os elementos mais contrários às mulheres em todo o Afeganistão, os Estados Unidos introduziram um fluxo de mulheres educadas no governo e em outras instituições, ONGs, organizações da sociedade civil e redes de mulheres. Isto serve a um duplo propósito. Primeiro, usam essas mulheres para enganar o mundo sobre a situação real das mulheres afegãs e as apresenta como um triunfo de sua guerra de ocupação. Em segundo lugar, ao cooptar essas mulheres sob sua tutela, asseguram que elas não se juntem à luta revolucionária, privando assim o movimento feminino de pessoas valiosas.

Recentemente, um grupo de mulheres vendidas e famintas por poder da “Rede de Mulheres” se reuniu com Gulbuddin Hekmatyar como “representantes” das mulheres afegãs. Gulbuddin é um dos criminosos misóginos mais sanguinários, conhecido por jogar ácido no rosto das mulheres em sua juventude, e essas mulheres foram se encontrar com ele para branquear seu partido misógino islâmico, tudo por fama, poder e dinheiro. Mulheres como Fawzia Koofi, Habiba Sarabi, Sima Samar e outras sentam-se com os criminosos jihadistas e talibãs em troca de dinheiro e poder, e traiçoeiramente se apresentam como representantes das mulheres oprimidas do Afeganistão. Essas mulheres minimizam o flagelo e o apedrejamento das mulheres pelos Talibãs, e realçam seus “bons” programas para as mulheres se elas entrarem para o governo. Eles estão ao lado dos poderes governantes e traem nossas mulheres, e não têm nenhuma conexão ou empatia com as mulheres do Afeganistão.

MK: Por que a RAWA decidiu ficar no Afeganistão ou na região, em vez de transferir suas atividades para a Europa e países ocidentais? O que acha da crescente organização não governamental no Afeganistão e em outros países do Sul Global, patrocinada por instituições ocidentais?

SW: A RAWA acredita que só pode se tornar um movimento poderoso com o apoio das massas, e este apoio vem ao permanecermos e trabalharmos no território, mesmo que a situação seja infernal. As pessoas só confiam nas organizações revolucionárias que estão do seu lado na prática e que são ativas dentro do país. Nossa experiência tem mostrado que as organizações que arrancaram suas raízes do Afeganistão e se mudaram para a Europa e outros países se dissolveram vergonhosamente. Uma das razões pelas quais a RAWA tem vivido tanto tempo e continua sua luta é porque decidimos ficar no Afeganistão apesar da situação sangrenta.

As ONGs são uma parte importante da espinha dorsal do imperialismo em nosso país. A criação de ONGs é quase tão perigosa quanto a formação do governo fantoche do Afeganistão. As ONGs formadas no Afeganistão existem graças ao financiamento dos Estados Unidos e de outras potências ocidentais. Eles são um terreno fértil para o recrutamento de jovens que formarão os futuros governos fantoches do Afeganistão, que terão a aparência de um governo moderno e democrático, mas cujas cabeças serão lavadas para servir como lacaios muito mais leais dessas potências. As ONGs também são usadas para espremer o nacionalismo e a luta revolucionária das cabeças de nossos jovens, dando-lhes enormes salários e vidas no estrangeiro. Se sabe que nenhuma dessas ONGs serve ao povo e às mulheres e que se limitam a lançar slogans de “reconstrução” e “ajudar o povo” para esconder seus verdadeiros propósitos.

MK: O Afeganistão tem sido invadido, explorado, atacado e severamente prejudicado pelas forças imperialistas durante as últimas décadas. Isto tem afetado particularmente as mulheres. Embora a RAWA tenha liderado campanhas para desafiar a violência sexual sistemática do Talibã à justiça, temos visto misóginos corruptos subirem a altos cargos políticos com o apoio dos Estados Unidos. Como você analisa a violência sexual na guerra? De que forma e com cujo apoio a violência sexual tem sido usada como ferramenta de guerra no Afeganistão? E como é a justiça para as mulheres afegãs a partir de sua perspectiva?

SW: Como em todos os conflitos da maior parte da história, as mulheres e crianças têm sido os principais alvos na guerra e no conflito no Afeganistão. Têm sido os alvos mais vulneráveis dos grupos fundamentalistas que têm atormentado nossa nação por quase três décadas. O estupro e outras formas de violência sexual tornaram-se comuns depois que os jihadistas – criados, nutridos e apoiados pelos Estados Unidos, Arábia Saudita e Paquistão – chegaram ao poder em 1992, após a derrota dos soviéticos. As várias facções dos senhores da guerra jihadistas saquearam e estupraram a população de Cabul, de porta em porta. Mulheres foram sequestradas e mantidas em porões e edifícios vazios, estupradas e torturadas repetidamente. A maioria acabou sendo morta e seus corpos mutilados foram encontrados depois que os jihadistas deixaram estas áreas. Os relatos dessas mulheres são contos de horror e pesadelos.

A justiça para as mulheres só pode ser alcançada com a aniquilação completa do atual governo composto por elementos fundamentalistas islâmicos e outros vendidos pelos Estados Unidos. Os líderes de partidos fundamentalistas islâmicos envolvidos em crimes de guerra, especialmente contra as mulheres, devem ser processados e punidos. Uma vez que nossas mulheres alcancem esta tarefa, podemos dizer que a justiça foi feita.

MK: Qual é o papel das mulheres afegãs para a paz e a justiça?

SW: Para as mulheres afegãs, a paz só pode ser alcançada através da justiça, e a justiça só pode ser alcançada libertando o Afeganistão da ocupação estrangeira e do fundamentalismo islâmico. A remoção desses traidores e assassinos do poder, assim como sua perseguição e punição, é a justiça que as mulheres buscam para a paz, prosperidade e democracia real. E isto só pode ser alcançado por uma luta organizada de mulheres conscientes.

MK: Qual o tipo de sociedade pela qual lutam, e que esforços fazem aqui e agora para realizar suas utopias?

SW: Lutamos por uma sociedade independente, livre e democrática, baseada nos pilares da justiça social, na qual mulheres e homens sejam iguais em todos os aspectos. O caminho para isso é longo e difícil. É uma tarefa enorme mobilizar e organizar as mulheres em um grande movimento, mas acreditamos que não há outra opção para alcançar estes valores.

MK: O que significa para você e seu movimento a liberdade das mulheres?

SW: Para nós, a liberdade das mulheres é nossa participação em todas as esferas da sociedade, baseada na independência, democracia, laicismo e justiça social. É a nossa completa igualdade com os homens em todos os aspectos. Esta liberdade e igualdade está diretamente ligada à política e à sociedade. Somente em uma sociedade livre da ocupação e do vírus misógino fundamentalista, na qual a democracia e a justiça social são aplicadas, as cadeias de violência contra as mulheres podem ser rompidas e a completa liberdade e direitos das mulheres podem ser contemplados.

MK: Como Movimento de Mulheres Curdas, sabemos que a RAWA valoriza o internacionalismo como um aspecto importante da resistência e da libertação. As mulheres no Afeganistão saíram às ruas em apoio à revolução feminina em Rojava. O que você acha da luta das mulheres em Rojava ou no Curdistão em geral? O que podemos aprender umas com as outras?

SW: A luta e os sacrifícios das leoas do Curdistão têm sido uma inspiração e uma fonte de força para nós. Sua luta contra o ISIS e outros criminosos da Idade Média nos ensinou enormes lições. Sabemos que nenhuma força na Terra, nem o ISIS nem a superpotência por trás dele, nem outros países da região, podem fazer frente à verdadeira resistência das massas. Sabemos, pela milionésima vez, que nenhuma luta pode ser bem sucedida sem a participação das mulheres. Entendemos os sacrifícios que temos que fazer para realizar a sociedade dos nossos sonhos. Quando ouvimos o nome ISIS no Afeganistão, associamo-lo às mulheres determinadas e corajosas do Curdistão, não ao terror que ele está exercendo em nosso país. Acreditamos que o ISIS é derrotável e que não tem chance contra um autêntico movimento de mulheres. É claro que acreditamos nestas coisas ao embarcarmos neste caminho, esta luta é uma prova brilhante de nossas crenças.

MK: Em termos da luta global das mulheres pela liberdade, qual o caminho a seguir para trabalhar em conjunto na luta comum contra o patriarcado e outros sistemas de violência e opressão?

SW: A RAWA acredita que a solidariedade internacional com organizações e partidos que buscam independência, lutam pela liberdade e são democráticos e progressistas é uma parte vital de nossa luta interna. Nossa luta converge com a do povo curdo, já que a maioria de nossos inimigos são de natureza semelhante. Estamos lutando contra o imperialismo e seus mercenários fundamentalistas. Neste ponto, temos que compartilhar nossas experiências e lições a fim de melhor atravessar esta árdua tarefa.


Entrevista publicada originalmente em inglês por Komun-Academy em 20 de setembro de 2019. Traduzido ao espanhol pela Revista Crisis em 17 de agosto de 2021. Traduzido ao português pela Editora Terra sem Amos. Baixe a entrevista em pdf aqui.

AVIÕES TURCOS BOMBARDEIAM HOSPITAL EM SHENGAL

Aviões de combate turcos bombardearam o hospital na vila de Sikeniye, na cidade yazidi de Shengal (Sinjar), nesta terça-feira. Segundo informes do local, o ataque provocou feridos, enquanto informações detalhadas não estavam imediatamente disponíveis.

Os informes dizem que os aviões também estão visando as pessoas que foram transferidas ao hospital para a evacuação das que estão dentro.

Ontem, 16 de agosto, um ataque aéreo turco atingiu um veículo no centro de Shengal, matando um comandante e um combatente YBŞ (Unidades de Resistência de Shengal) e ferindo três pessoas.

O Comando das YBŞ anunciou ontem que o comandante Seid Hesen e seu sobrinho, o combatente das YBŞ Isa Xwededa foram martirizados como resultado do ataque que também deixou três civis feridos; Qasim Simo, Şamir Abbas Berces e Mirza Ali.

ANF ESPANHOL | KJK PEDE SOLIDARIEDADE PARA AS MULHERES E POVOS DO AFEGANISTÃO

O Comitê de Relações e Alianças Democráticas da KJK (Comunidades de Mulheres do Curdistão) emitiu hoje uma declaração apelando à solidariedade com as mulheres e os povos do Afeganistão. A declaração inclui o seguinte:

“No Afeganistão, que tem sido palco de guerras pelo poder durante décadas, o poder foi entregue aos misóginos Talibãs como resultado das políticas sujas das potências hegemônicas globais. Esta situação, que provocou grande raiva e ira entre as mulheres e os povos do Afeganistão e do mundo inteiro, revelou mais uma vez a seguinte verdade: não há poder em que possamos confiar a não ser no autopoder, na auto-organização e na autodefesa. O que aconteceu ontem no Afeganistão expôs muito claramente a hipocrisia dos estados ocidentais. As potências da OTAN demonstraram claramente que para eles valores como democracia, liberdade e direitos das mulheres eram meras ferramentas para encontrar uma desculpa para suas próprias políticas sujas. Aqueles que tentaram legitimar sua ocupação com “direitos da mulher” há 20 anos, agora deixam a vida de milhões de mulheres à mercê dos Talibã.

Os que hoje entregaram o Afeganistão aos Talibãs e aos que antes ocuparam Afrin, Serêkaniyê, Girê Spî à República Turca são os mesmos poderes. Aqueles que ontem deram luz verde à invasão turca de Rojava e do nordeste da Síria estão repetindo hoje o mesmo cenário no Afeganistão. Da perspectiva dos povos, e especialmente das mulheres, não há uma grande diferença entre aqueles que estão no poder como resultado de negócios sujos.

Ao dizer “Não temos nada contra as crenças do Talibã”, o próprio Erdogan, o chefe do regime fascista turco, admitiu que eles compartilham a mesma mentalidade. De fato, o plano americano de entregar o controle do aeroporto de Cabul à república turca fascista deve ser entendido dentro desta estrutura. A entrega do controle do aeroporto a Erdogan deve ser vista como mais um passo para fortalecer a Turquia, que conduz sua política através da organização de bandos. Esta é uma grande ameaça e perigo para os povos e especialmente para as mulheres.

Assim como em Afrin, onde foi fundada a YPJ, que inspira as mulheres em todo o mundo, e onde hoje elas são subjugadas e mortas como resultado das políticas das potências hegemônicas globais, também as mulheres no Afeganistão enfrentam agora a mesma ameaça. Isto é prefigurado pelo aumento da violência contra as mulheres nos últimos meses e pelos assassinatos de mulheres pioneiras.

Como povo e mulheres curdas, sabemos muito bem que a única forma de defender nossa existência e vontade contra as políticas imperialistas e coloniais das potências hegemônicas globais é através da organização. Sem poder próprio, auto-organização e autodefesa, não será possível construir e manter uma vida livre. Tanto como indivíduos quanto como movimento, experimentamos e ainda experimentamos esta realidade de forma muito forte. A trama internacional contra nosso líder Abdullah Ocalan em 15 de fevereiro de 1999 é o exemplo mais concreto disso. Desde as ocupações do ISIS em Rojava e Bashûrê (Sul/Iraque) Curdistão, especialmente em Shengal e Kobanê, até as ocupações da Turquia aqui, as políticas coloniais e genocidas que estamos enfrentando são baseadas no equilíbrio dos interesses do capitalismo global.

Da mesma forma, a cessão do controle do Afeganistão ao Talibã, inimigo das mulheres e dos povos, ocorreu no contexto dos interesses geoestratégicos perseguidos pelos Estados ocidentais, especialmente os EUA, no Oriente Médio e Ásia Central. Mais uma vez, vemos que para os poderes em questão, os desejos, vontades, sonhos, esperanças e esforços dos povos que habitam estas terras absolutamente não importam. Pois eles não só objetivam estas terras, que só vêem da perspectiva do colonizador, mas também as pessoas que nelas vivem. Não há nada que os titulares destas políticas de 20 anos não façam para satisfazer seus próprios interesses. É por isso que procurar linhas vermelhas, humanitárias ou genuínas nas políticas dos estados ocidentais não é ingenuidade, mas ignorância.

Durante os anos de ocupação e o regime Talibã, aqueles que mais lutaram e resistiram pela verdadeira democracia, liberdade e uma vida digna foram as mulheres. No período mais difícil, nas circunstâncias mais difíceis, as mulheres do Afeganistão encontraram maneiras de se organizar. Com o poder e o apoio que oferecemos, e a solidariedade e defesa que demonstramos como mulheres, temos plena fé que elas tecerão sua resistência não apenas contra os Talibã, mas contra todos os poderes e mentalidades misóginas. Do Curdistão ao Afeganistão, uma vida livre e uma verdadeira democracia serão construídas sob a liderança de mulheres organizadas. Como mulheres do Curdistão, apoiamos as mulheres e o povo afegão de hoje como fizemos ontem.

Fazemos um chamado a todas as mulheres, especialmente as do Oriente Médio, a se solidarizarem com nossas irmãs no Afeganistão, a levantarem sua voz e a defenderem suas vidas, conquistas e sonhos. Fortaleçamos as alianças de nossas mulheres contra esses poderes patriarcais e misóginos!

16 de agosto de 2021.

Jin, Jiyan, Azadî!

Mulheres, Vida, Liberdade!”.

KJK (Comunidades de Mulheres do Curdistão)

Comitê de Relações e Alianças Democráticas